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Registro de autoridade

Jorge, Raul Caneco Araújo

  • Pessoa singular
  • 13/08/1918-13/04/1995

Dr. Raul Caneco de Araújo Jorge nasceu no Rio de Janeiro. Filho do embaixador Arthur Guimarães Araújo Jorge, graduou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1942. Em 1946, foi nomeado 14º Advogado de Ofício do Distrito Federal e, em 1951, promovido ao cargo de 13º Promotor Substituto do Ministério Público do Distrito Federal.

Durante sua atuação junto ao I Tribunal do Júri, destacou-se pela participação no julgamento de Gregório Fortunato, processo de grande repercussão nacional à época. Fortunato, que havia sido chefe da guarda pessoal do Presidente da República Getúlio Vargas foi julgado, em 1956, pelo assassinato do Major Rubens Vaz e pela tentativa de homicídio do jornalista e político Carlos Lacerda, fatos ocorridos no episódio conhecido como Atentado da Rua Tonelero, em agosto de 1954, que desencadeou uma grave crise política e culminou no suicídio do Presidente Vargas. Em 1961, Dr. Raul Caneco também presidiu a Comissão de Inquérito Administrativo da Divisão de Ordem Política e Social (DOPS), encarregada de apurar denúncias de corrupção e de tolerância ao jogo do bicho.

Em 1962, foi promovido ao cargo de Curador de Menores, função que exerceu durante nove anos. Nesse período, exerceu atribuições administrativas, presidindo a Comissão Permanente de Processos Administrativos do Estado da Guanabara, em 1962, e exercendo as funções de Assessor e substituto do Superintendente da Polícia Judiciária entre 1963 e 1965.

No exercício da Curadoria de Menores, dedicou-se a questões relacionadas à prostituição infantil, à reformulação das políticas públicas de assistência ao menor, às discussões promovidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Entorpecentes e à apuração de irregularidades na detenção de menores de dezoito anos. Representou ainda o Ministério Público como membro do Conselho Estadual da Fundação do Bem-Estar do Menor (FEBEM).

Em 1971, foi promovido ao cargo de Procurador de Justiça, passando a atuar junto à 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Alçada da Guanabara. No mesmo ano, foi agraciado com a Medalha de Mérito Mello Mattos, instituída em comemoração ao centenário de nascimento do Dr. José Cândido de Albuquerque Mello Mattos, primeiro Juiz de Menores do Brasil, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à causa da infância e da juventude.

No âmbito institucional, integrou delegações e grupos de trabalho em importantes eventos da carreira ministerial, entre os quais o IV Congresso Interamericano do Ministério Público, realizado em Brasília, em 1972; o IV Congresso do Ministério Público Fluminense, realizado em Nova Friburgo (RJ), também em 1972; e o II Congresso Nacional do Ministério Público, realizado em Guarapari (ES), em 1973.

Aposentou-se em 1988 e faleceu em 1995, aos 76 anos de idade. Sua trajetória foi marcada pela destacada atuação na área criminal e, especialmente, pela dedicação às questões relacionadas à proteção da infância e da juventude.

Lyra, Roberto

  • Pessoa singular
  • 19/05/1902 - 29/11/1982

Roberto Lyra foi uma das maiores personalidades jurídicas brasileiras. Jurista, conferencista e professor de renome internacional, integrou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por trinta e seis anos, aposentando-se na carreira. Sua projeção ultrapassou os limites institucionais, sem que jamais se afastasse deles. A prática ministerial e as reflexões sobre as questões sociais e jurídicas de seu tempo — que tinham no crime, na prisão e, em última instância, no banco dos réus do Tribunal do Júri algumas de suas mais perversas problemáticas — constituíram a matéria-prima de centenas de artigos e obras dedicadas ao Direito Penal, ao Direito Processual Penal, à Criminologia, à Filosofia, à Sociologia e à Antropologia Jurídicas.

Natural de Recife (PE), graduou-se aos dezoito anos de idade, em 1920, pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ingressou no Ministério Público do Distrito Federal em 1924, quando foi nomeado 8º Promotor de Justiça Adjunto. Exerceu suas primeiras funções em Campo Grande durante dois anos, deslocando-se diariamente de trem, conforme relatado por sua esposa, Sophia Augusta de Lyra Tavares. Em 12 de março de 1999, o Programa de História Oral do Poder Judiciário, do Museu da Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, entrevistou Sophia, então com 96 anos de idade. Entre as lembranças registradas, destacou a sensibilidade social do marido e sua vocação para o magistério desde muito jovem. Nomeado Professor Coadjuvante do Ensino Noturno aos dezesseis anos de idade, lecionou entre 1918 e 1920 na antiga Escola Miguel Calmon, localizada na Gávea. Muito estimado pelos alunos — em sua maioria operários da Fábrica de Fiação Corcovado —, recebia frequentemente presentes como melancias, mamões, bananas e flores, que compartilhava com sua jovem namorada.

A partir de 1926, foi lotado junto à 2ª Pretoria Criminal e recebeu diversas designações para atuar no Tribunal do Júri. Contudo, foi entre 1931 e 1936 que se consagrou como um dos maiores tribunos do Júri brasileiro. Suas atuações, amplamente divulgadas pela imprensa, despertavam grande interesse do público, especialmente pelos memoráveis embates travados com advogados como Evaristo de Moraes, Mário Bulhões Pedreira e Evandro Lins e Silva. Acusador de retórica vigorosa e eloquente, não hesitava, quando convencido da justiça do caso, em requerer absolvições ou requalificações penais com a mesma firmeza com que sustentava a acusação. Seu compromisso era exclusivamente com a Justiça. Foi nesse período que recebeu de Evandro Lins e Silva, então estudante da Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, o epíteto de "Príncipe dos Promotores Públicos".

Entre suas obras dedicadas ao Ministério Público destacam-se O Ministério Público e o Júri (1933) e Teoria e Prática da Promotoria Pública (1937), esta última considerada uma das referências fundamentais para a organização do Ministério Público contemporâneo. Entre 1937 e 1940, atuou junto à 5ª Vara Criminal, conciliando suas funções ministeriais com o magistério na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), instituição criada em 1935 por iniciativa sua e de um grupo de professores.

Promovido ao cargo de Curador de Menores, função que exerceu entre 1938 e 1948, destacou-se pela sensibilidade com que enfrentava a questão do abandono infantil, defendendo políticas de amparo às famílias como forma de prevenção e enfrentamento do problema. Em 1948, foi designado pelo Ministro da Justiça para integrar a comissão encarregada de estudar a reformulação do Código de Menores de 1927. Em 1950, atuou também na Curadoria de Massas Falidas.

A Lei nº 1.301, de 1950, criou quatro cargos de Subprocurador de Justiça, exercidos em função gratificada por Curadores designados pelo Procurador-Geral de Justiça. A partir de 1951, Roberto Lyra exerceu as funções de 1º, 3º e 4º Subprocurador de Justiça, incumbidas, entre outras atribuições, de substituir o Procurador-Geral e atuar perante as Câmaras Cíveis e Criminais da Corte de Apelação. Na condição de 1º Subprocurador, exerceu interinamente o cargo de Procurador-Geral de Justiça durante os meses de julho e agosto de 1958, em razão das férias do titular, Candido de Oliveira Neto. Em 1959, foi promovido ao cargo de Procurador de Justiça.

Em 1946, participou da fundação da Associação do Ministério Público do Distrito Federal, atual AMPERJ, sendo um dos redatores de seu estatuto e integrante do Conselho Consultivo no biênio 1954–1956. Também integrou a comissão responsável pela elaboração do Código do Ministério Público (Lei nº 3.434/1958), primeiro diploma legal a reunir sistematicamente a organização e as atribuições da instituição. Até então, a legislação encontrava-se dispersa em diversos atos normativos. Entre as principais inovações introduzidas pela nova lei destacam-se a criação do Conselho do Ministério Público e do cargo de Procurador de Justiça como órgãos institucionais, além da inclusão do Estagiário Forense como órgão auxiliar.

Após aposentar-se do Ministério Público, em 1960, teve breve passagem pelo Ministério da Educação, em 1962, quando participou das negociações que levaram ao encerramento da greve nacional dos estudantes universitários. Relatou essa experiência na obra Contribuição para a História do Primeiro Governo de Esquerda no Brasil: Conselho de Ministros Brochado da Rocha (1980). Após sua exoneração, dedicou-se integralmente às múltiplas atividades que desenvolvia no campo do Direito, tanto no Brasil quanto no exterior. No magistério superior, aposentou-se da cátedra em 1972.

Em 1980, o então Promotor de Justiça João Marcello de Araújo Júnior, seu ex-aluno e amigo — que atualmente dá nome ao Centro de Memória do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — publicou a biografia Roberto Lyra. Dois anos depois, em 1982, Roberto Lyra faleceu no Rio de Janeiro, aos oitenta anos de idade.

Em 2002, foi publicada a obra O Centenário do Imortal Roberto Lyra: Coletânea em Homenagem, organizada por Sérgio de Andréa Ferreira e Fernando Galvão de Andréa Ferreira, ambos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A publicação integra o acervo da Biblioteca da instituição.

Em homenagem mais recente, seu sobrenome foi atribuído ao sistema de inteligência artificial Lyra, desenvolvido em 2018 pela equipe da Coordenadoria de Análises, Diagnósticos e Geoprocessamento (CADG), responsável pela plataforma digital MP em Mapas. A ferramenta foi concebida para analisar milhares de documentos judiciais e produzir estatísticas e previsões sobre o andamento de processos repetitivos, contribuindo para uma atuação institucional mais ágil e eficiente nas demandas coletivas. Trata-se de um tributo que procura refletir a extraordinária capacidade intelectual e a incansável dedicação de Roberto Lyra, cuja influência permanece viva na história do Ministério Público brasileiro e do pensamento jurídico nacional.

Cruz, Newton Marques

  • Pessoa singular
  • 25/03/1916 - 11/12/2001

Dr. Newton Marques Cruz nasceu no antigo Distrito Federal, na cidade do Rio de Janeiro. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito, em 1937. No ano seguinte, obteve também o diploma do Curso de Psicologia pela Universidade do Brasil. Ambas as instituições integram atualmente a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Exerceu a advocacia em escritório próprio entre 1938 e 1949. Foi também Capitão da Reserva do Exército Brasileiro, tendo servido em Natal (RN) entre 1943 e 1944, período em que a cidade desempenhava papel estratégico para as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Em reconhecimento aos serviços prestados, foi condecorado com a Medalha de Guerra em 1947.

Em 1950, foi nomeado Defensor Público Interino do Ministério Público do Distrito Federal e, no ano seguinte, tomou posse como 18º Defensor Público, após aprovação no primeiro concurso público de provas e títulos da instituição. Em 1955, foi promovido ao cargo de Promotor Substituto.

Na área acadêmica, exerceu os cargos de Professor de Prática Jurídica Geral na Escola Técnica de Comércio da Fundação Getúlio Vargas, em 1958, e Professor do Curso de Doutorado da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1963. Entre 1958 e 1959, foi contemplado com uma bolsa de cooperação técnica concedida pelo governo francês, oportunidade em que realizou estágios especializados nas áreas criminal e fiscal.

Em 1960, foi promovido ao cargo de 2º Curador de Menores, função que exerceu até 1963. No mesmo ano, recebeu a Medalha de Mérito Forense, concedida pelo Comitê de Imprensa da Justiça do Estado. Em 1962, tornou-se Sócio Titular e membro do Conselho Técnico da Sociedade Brasileira de Criminologia, bem como integrante da Société de Législation Comparée. Em 1966, retornou à França, a convite do governo francês, para realizar estudos sobre a organização e o funcionamento do sistema judiciário daquele país.

No início da década de 1960, desempenhou diversos cargos relevantes na administração pública. Foi Diretor do Departamento de Administração do Serviço de Alimentação da Previdência Social, autarquia vinculada ao Ministério do Trabalho (1960); Presidente da Comissão instituída por determinação do Presidente da República para estudar a situação profissional dos operadores e técnicos de empresas de radiocomunicações (1961); Diretor da Penitenciária Professor Lemos de Brito; Chefe de Polícia do Estado da Guanabara; e Superintendente da Polícia Judiciária, estes três últimos cargos exercidos em 1962. Em 1963, foi removido para a 1ª Curadoria de Resíduos.

Promovido ao cargo de Procurador de Justiça em 1965, voltou a exercer funções na administração pública entre 1969 e 1972, quando integrou a Subcomissão-Geral de Investigações do Estado da Guanabara, órgão vinculado ao Ministério da Justiça durante o período do regime civil-militar (1964–1985), chegando a ocupar a Vice-Presidência.

Entre 15 de março de 1975 e 14 de março de 1979, exerceu a função de primeiro Corregedor-Geral do Ministério Público após a fusão do antigo Estado do Rio de Janeiro com o extinto Estado da Guanabara. O cargo foi instituído pelo Decreto-Lei nº 11, de 15 de março de 1975, diploma que reorganizou o Ministério Público e a Assistência Judiciária do novo Estado do Rio de Janeiro.

Aposentou-se em 1986 e faleceu em 2001, aos 85 anos de idade. Sua trajetória destacou-se pela atuação simultânea nas áreas ministerial, acadêmica e administrativa.

Vasconcellos, Newton de Barros e

  • Pessoa singular
  • 16/11/1918 - 30/04/1980

Natural do Rio de Janeiro, Dr. Newton de Barros e Vasconcellos graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Niterói, atual Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1947. Iniciou sua trajetória profissional na advocacia, atuando em causas cíveis, criminais e de Justiça Militar.

Em 1953, foi nomeado interinamente 25º Defensor Público do Ministério Público do Distrito Federal e, em 1955, efetivado no cargo de 18º Defensor Público. Com a transferência da Capital Federal para Brasília, em 1960, foi designado para coordenar os órgãos e serviços penitenciários transferidos da União para o Estado da Guanabara, função que exerceu entre 1960 e 1962. O reconhecimento pelo trabalho desenvolvido resultou na concessão da Medalha de Mérito Forense, em 1961. Nesse mesmo ano, foi promovido ao cargo de 16º Promotor Substituto e, em 1964, ao de 5º Promotor Público.

Em 1963, concluiu o curso de Doutorado pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), integrando sua primeira turma de doutores. Na cerimônia de colação de grau, recebeu também o Prêmio Juliano Moreira, na cadeira de Medicina Legal e Psicologia Forense.

Sua atuação concentrou-se na área criminal, especialmente nas questões relacionadas aos menores infratores, destacando-se como defensor da atualização do Código de Menores de 1927. Exerceu interinamente a função de 2º Curador de Menores entre 1966 e 1971. Nesse período, recebeu, em 1968, o Diploma de Honra ao Mérito concedido pelo Sindicato dos Advogados do Estado da Guanabara. Ainda naquele ano, foi designado pelo Governador Francisco Negrão de Lima para integrar a comissão encarregada de estudar o licenciamento e a fiscalização de atividades comerciais relacionadas aos esportes marítimos, desenvolvidas nas praias ou em suas proximidades.

Em 1971, foi promovido ao cargo de 1º Curador de Menores. Grande entusiasta da aproximação entre o Ministério Público e a sociedade, promoveu palestras, aulas e conferências em instituições de ensino fundamental e médio, bem como em diversos órgãos civis. Demonstrava especial preocupação com a prevenção do envolvimento de crianças e adolescentes em atos infracionais e com o uso de drogas ilícitas, sobretudo no ambiente escolar. Defendia, ainda, ações permanentes de orientação e capacitação voltadas a comissários, curadores, tutores, pais e professores, reconhecendo o papel essencial da família e da comunidade na proteção da infância e da juventude.

Dr. Newton de Barros e Vasconcellos manifestava frequentemente suas ideias por meio de artigos e entrevistas publicados na imprensa. Entre seus textos, destaca-se A Tutela e a Proteção dos Menores Desassistidos, além de colaborações para jornais de ampla circulação, como A Luta Democrática. Também respondia a dúvidas de leitores e publicava reflexões na seção Carta dos Leitores, do jornal O Globo. Entre os temas que abordava, figuravam a oposição à redução da maioridade penal para dezesseis anos, a crítica aos critérios de adoção pautados na raça e na pouca idade das crianças — denunciando o preconceito racial que permeava tais práticas — e a defesa do diálogo como instrumento fundamental de fortalecimento das relações familiares.

Dr. Newton de Barros e Vasconcellos faleceu precocemente, aos 62 anos de idade, no exercício do cargo, 1980. Deixou importante legado de dedicação às questões sociais relacionadas à proteção integral de crianças e adolescentes, destacando-se pela atuação firme em defesa dos direitos da infância e da juventude ao longo de sua extensa trajetória no Ministério Público.

Amaral, Nelson Pecegueiro do

  • Pessoa singular
  • 07/10/1922 - 04/04/2007

Nelson Pecegueiro do Amaral nasceu em São Paulo. Ainda jovem, mudou-se para o então Distrito Federal, onde concluiu o ensino secundário no Colégio Santo Inácio e graduou-se em Direito pela primeira turma da Faculdade Católica de Direito, atual Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1945.

Exercia a advocacia quando foi nomeado 24º Promotor Público Interino do Ministério Público do Distrito Federal, em 1951. Sua efetivação na instituição ocorreu em 1954, com a nomeação para o cargo de 13º Defensor Público, então classe inicial da carreira ministerial. Posteriormente, foi promovido a 7º Promotor Substituto (1960), 30º Promotor Público (1962) e 4º Curador de Família (1965), sendo transferido, em 1967, para o cargo de 2º Curador de Menores, no qual permaneceu até sua promoção a Procurador de Justiça, em 1970.

Embora tenha exercido a função de Curador de Menores por apenas um ano, sua passagem pelo cargo foi marcada pela autorização para participar do Curso de Especialização de Profissionais de Tribunais de Menores, realizado na Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, sob a coordenação da Organização dos Estados Americanos (OEA). No ano seguinte, foi nomeado para o cargo em comissão de Consultor Jurídico do Exército, função que desempenhou entre 1968 e 1977.

Sua proximidade com o regime civil-militar vigente no Brasil entre 1964 e 1985 resultou na concessão de duas condecorações militares: a Medalha do Pacificador, em 1968, e a Medalha Mérito Santos Dumont, em 1969. Recebeu ainda diversos elogios oficiais de altas autoridades militares, fundamentados na alegação de que teria desempenhado suas funções "em defesa dos interesses nacionais e na consolidação dos ideais revolucionários".

Exerceu a chefia institucional do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro como Procurador-Geral de Justiça entre 1980 e 1981. Sua gestão foi marcada por um período de intensa tensão institucional. Em 11 de novembro de 1980, foi deflagrada a chamada Vigília Institucional, considerada a primeira greve promovida por membros do Ministério Público brasileiro. Liderado pela Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (AMPERJ), sob a condução do Promotor de Justiça Leôncio de Aguiar Vasconcelos, o movimento reuniu cerca de 420 promotores e procuradores fluminenses em defesa da equiparação de direitos e da superação das disparidades decorrentes da fusão, em 1975, dos Ministérios Públicos do antigo Estado da Guanabara e do antigo Estado do Rio de Janeiro. Entre as principais reivindicações estavam o nivelamento remuneratório e a melhoria das condições de trabalho, especialmente quanto às instalações físicas e ao quadro de pessoal.

À época, o Estado era governado por Chagas Freitas, também integrante da carreira do Ministério Público. Sua postura diante do movimento foi de enfrentamento às reivindicações, em um contexto no qual a posição institucional adotada por Nelson Pecegueiro revelou-se ambígua. A questão salarial somente viria a ser solucionada durante o primeiro governo estadual de Leonel Brizola (1983–1986).

Outros acontecimentos relevantes durante sua gestão foram a realização do último concurso para o cargo de Defensor Público enquanto essa carreira ainda integrava a estrutura do Ministério Público fluminense e a criação da Caixa de Assistência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CAMPERJ). À época, a Assistência Judiciária constituía carreira paralela subordinada ao Procurador-Geral de Justiça, sendo posteriormente desvinculada do Ministério Público para integrar a estrutura da Secretaria de Estado de Justiça, por força da Emenda Constitucional nº 16, de 1981, e, posteriormente, da Defensoria Pública, com a Emenda Constitucional nº 37, de 1987. A CAMPERJ foi criada com a finalidade de prestar assistência médica aos membros da instituição e seus dependentes, tendo Nelson Pecegueiro exercido o cargo de seu primeiro Diretor-Presidente.

Em dezembro de 1981, foi nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro pelo Governador Chagas Freitas. A nomeação suscitou nova controvérsia, uma vez que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questionou o preenchimento da vaga pelo Quinto Constitucional, sustentando que, em razão da alternância prevista em lei, ela deveria ser destinada à advocacia, e não a um membro do Ministério Público. Apesar da contestação, prevaleceu o ato de nomeação praticado pelo Poder Executivo.

Faleceu em 2007, aos 85 anos de idade.

Freire Júnior, Laudelino

  • Pessoa singular
  • 16/05/1919 - 07/05/2013

Dr. Laudelino Freire Júnior nasceu no Rio de Janeiro. Era filho do escritor e lexicógrafo sergipano Laudelino Freire, que presidiu a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1936. Graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 1939.

Iniciou sua carreira no serviço público como Fiscal do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), função exercida entre 1938 e 1945. Teve breve passagem pelo cargo de Oficial de Gabinete do Ministro da Fazenda José Pires Rios, entre 1945 e 1946, sendo, em seguida, nomeado Promotor Substituto do Ministério Público do Distrito Federal, em janeiro de 1946.

Sua atuação concentrou-se predominantemente na área criminal. Em 1951, foi promovido pela Comissão de Promoções do Ministério Público ao cargo de 24º Promotor Público, passando a atuar junto à 25ª Vara Criminal. Nesse período, participou da apuração de casos de grande repercussão, entre os quais o incêndio da Boate e do Hotel Vogue, em Copacabana, ocorrido em 1956, e o caso de extorsão contra a Companhia de Cimento Portland Barroso, em 1958.

Promovido a 1º Curador de Menores em 1960, exerceu a função até 1964. Durante esse período, destacou-se por intensa atuação em defesa da infância e da juventude, ocupando frequentemente o noticiário. Entre suas principais iniciativas, destacam-se a participação no Grupo de Estudos instituído pelo Governador José Sette Câmara para discutir a problemática do menor abandonado (1960); a adoção de medidas destinadas à proibição da circulação de revistas pornográficas (1960); a investigação de irregularidades no processo de adoção de menores perante o Juizado de Menores, episódio que ficou conhecido como “Golpe do Afeto” (1961); e a fiscalização e interdição de boates em razão da presença de menores de 21 anos (1962).

Posteriormente, foi transferido para o cargo de 3º Curador de Órfãos, função exercida entre 1964 e 1971. Em seguida, ocupou, por breve período, o cargo de 4º Curador de Famílias, no ano de 1971, até sua promoção ao cargo de Procurador de Justiça.

Como Procurador de Justiça, atuou por longo período junto à 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Foi nomeado Membro Suplente do Conselho do Ministério Público para o biênio 1973–1974 e, em 1975, eleito Membro Titular do mesmo órgão.

Entre 1976 e 1977, presidiu, ao lado dos Procuradores de Justiça Hermenegildo de Barros Filho e Ellys Hermydio Figueira, a banca examinadora do primeiro concurso público para ingresso na carreira do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro após a fusão dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro.

Aposentou-se em 1989, após quarenta e três anos de dedicação ao Ministério Público. Faleceu aos 94 anos de idade, deixando importante legado para a instituição, especialmente na área e da proteção à infância e à juventude.

Melo, João Ramos Torres de

  • Pessoa singular
  • 12/08/1893 - 19/09/1993

Natural de Fortaleza, Ceará, Dr. João Ramos Torres de Melo iniciou sua carreira pública no então Território do Acre. Exerceu, sucessivamente, as funções de Procurador da República Interino (1920–1921), Adjunto de Promotor Público do 2º Termo da Comarca de Xapuri e Promotor Público da mesma comarca (1927–1929), e Procurador-Geral de Justiça junto ao Tribunal de Apelação do Território (1931–1940).

Colocado em disponibilidade por ato do Presidente da República, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado 2º Promotor Público do Distrito Federal, em 1940. Na então Capital Federal, exerceu os cargos de Curador de Acidentes do Trabalho (1941), Curador de Menores (1942–1948) e 3º Curador de Ausentes (1948–1958).

Destaca-se sua participação na comissão responsável pela elaboração do regulamento do primeiro concurso público de provas e títulos para ingresso no Ministério Público do Distrito Federal, instituída em 1949. Integravam também o grupo Alfredo Loureiro Bernardes, na qualidade de Procurador-Geral de Justiça; o Curador Caetano Estelita Cavalcanti Pessoa; e o advogado Arthur Machado de Castro, representante indicado pelo Conselho da Ordem dos Advogados.

O certame foi regulamentado pela Lei nº 116, de 9 de janeiro de 1948, que estabeleceu o cargo de Defensor Público como classe inicial da carreira ministerial. O processo seletivo teve início em 1950, constituindo um importante marco na institucionalização do ingresso por concurso público no Ministério Público do Distrito Federal. Dr. João Ramos Torres de Melo também integrou a banca examinadora. O concurso foi bastante concorrido, como amplamente noticiado pela imprensa da época, e as primeiras nomeações ocorreram a partir de 1951.

Em 1960, foi promovido ao cargo de 11º Procurador de Justiça e aposentou-se em 1963. Mesmo após deixar a carreira ministerial, permaneceu em atividade na vida associativa, sendo eleito Vice-Presidente do Clube dos Advogados em 1969.

Faleceu aos 100 anos de idade, deixando uma trajetória marcada pela contribuição à consolidação institucional do Ministério Público brasileiro, especialmente no que se refere à implantação do primeiro concurso público para ingresso na carreira no antigo Distrito Federal.

Carvalho, Fernando Vilela de

  • Pessoa singular
  • 25/12/1891-04/03/1973

Dr. Fernando Vilela de Carvalho nasceu em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1917.

Ingressou na carreira ministerial em 1923, como Adjunto de Promotor do Ministério Público do Distrito Federal, sendo promovido, em 1929, ao cargo de 8º Promotor Público. Em 1938, assumiu a função de Curador de Menores, que exerceu até 1942, quando, a pedido, foi transferido para o cargo de 4º Curador de Massas Falidas, permanecendo nessa função até 1957. Posteriormente, passou a exercer o cargo de 3º Curador de Resíduos, entre 1957 e 1959.

Também ocupou as funções de 4º Subprocurador de Justiça, em 1952; 3º Subprocurador de Justiça, em 1953; e 2º Subprocurador de Justiça, em 1963.

Em 1954, integrava a Comissão de Promoções do Ministério Público, a 2ª Comissão de Correição, responsável pela apresentação de relatórios ao Conselho de Justiça, e o Conselho Consultivo da Associação dos Membros do Ministério Público do Distrito Federal. Em 1958, foi eleito Vice-Presidente da entidade.

Em uma época em que o Ministério Público ainda não possuía sede própria, a cerimônia de posse da diretoria da Associação realizou-se no auditório do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC), localizado na Rua México, nº 128, 10º andar, no centro do Rio de Janeiro, edifício atualmente ocupado pelo Ministério da Saúde.

No ano seguinte, por ato do Ministro da Justiça José Eduardo do Prado Kelly, presidiu a Comissão de Inquérito Administrativo destinada a apurar irregularidades na administração do Território do Acre, atuação que recebeu ampla cobertura da imprensa da época.

Entre 1955 e 1956, exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça, assumindo a chefia máxima da instituição. Posteriormente, a Lei nº 3.434, de 20 de julho de 1958, conhecida como Código do Ministério Público do Distrito Federal, criou o cargo de Procurador de Justiça. Em 30 de setembro de 1959, foram nomeados os quatorze primeiros ocupantes desse novo cargo da carreira, entre os quais figurava Dr. Fernando Vilela de Carvalho.

Faleceu aos 82 anos de idade, deixando sua trajetória marcada pela longa dedicação ao Ministério Público e pela participação ativa na consolidação institucional da carreira ministerial no antigo Distrito Federal.

Mendonça, Carlos Sussekind de

  • Pessoa singular
  • 17/02/1899 - 23/07/1968

Dr. Carlos Sussekind de Mendonça era natural da cidade do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1920. Nascido em uma tradicional família de juristas e escritores e possuidor de uma mente aguçada e inquieta, destacou-se desde a juventude pelo intenso engajamento nas atividades jornalísticas e literárias.

Ainda durante a graduação, estabeleceu sólida e duradoura amizade com Roberto Lyra Tavares, outro grande expoente do Ministério Público. Ambos atuaram como redatores em jornais acadêmicos e, após a conclusão do curso, compartilharam escritório de advocacia por alguns anos. Colaborou também com os periódicos O Jornal e A Quinzena Judiciária, além de ter exercido a direção do jornal A Esquerda.

Na carreira jurídica, exerceu o cargo de Suplente de Juiz da 6ª Pretoria Criminal entre 1924 e 1931, antiga estrutura judiciária de primeira instância. Nesse período, participou do concurso de títulos promovido pela Comissão de Promoções e Nomeações da Justiça Local para ingresso no Ministério Público do Distrito Federal, classificando-se em primeiro lugar entre quarenta e sete candidatos.

Foi nomeado 7º Promotor Adjunto em 1931, destacando-se por sua atuação na área criminal, especialmente como 4º Promotor Público do Tribunal do Júri e junto à 8ª Vara Criminal. Em 1946, foi promovido ao cargo de 3º Curador de Família e, em 1949, transferido para a função de 2º Curador de Menores, permanecendo nessa atividade até sua promoção ao cargo de 1º Procurador de Justiça, em 1959.

O cargo de Procurador de Justiça, assim como o Conselho do Ministério Público, foram instituídos pelo Código do Ministério Público do Distrito Federal (Lei nº 3.434, de 20 de julho de 1958). Nos termos da nova legislação, além do Procurador-Geral de Justiça, o Conselho era composto por quatro membros: dois indicados pelo Presidente da República e dois eleitos pelos integrantes da instituição. Dr. Carlos Sussekind de Mendonça foi eleito para uma dessas vagas, integrando, assim, a primeira composição do órgão.

Posteriormente, exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça entre 12 de dezembro de 1960 e 20 de setembro de 1962. Aposentou-se em 1966, na função de 1º Subprocurador de Justiça.

Entre as diversas atividades que desempenhou ao longo da carreira, destacam-se sua atuação como membro da Sociedade Brasileira de Criminologia, a partir de 1933; Livre-docente de Direito Penal na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a partir de 1937; representante do Ministério Público no Conselho Penitenciário entre 1945 e 1966; e Presidente da Associação do Ministério Público do Distrito Federal no biênio 1948-1950.

Em 1939, foi eleito membro da Academia Carioca de Letras. Publicou importantes obras, entre elas Afirmações Católicas em Torno de Vários Temas (1929), Quem Foi Pedro II: Golpeando de Frente o Saudosismo (1929), O Sensacionalismo: Suas Causas, Suas Formas, Seus Efeitos, Suas Culpas, Seus Remédios (1931), Sensacionalismo, em coautoria com Roberto Lyra (1933), Sílvio Romero: Sua Formação Intelectual – 1851-1880 (1938), Salvador de Mendonça: Democrata do Império e da República (1960) e Sílvio Romero, de Corpo Inteiro (1963).

Foi ainda agraciado com as medalhas Marechal Caetano de Faria e Marechal Hermes, concedidas pelo Ministério da Justiça em 1956, e com a medalha Mérito Forense, outorgada pelo Comitê de Imprensa da Justiça do Distrito Federal em 1960.

Faleceu aos 69 anos de idade, deixando importante legado nas áreas jurídica, literária e institucional, com significativa contribuição para o desenvolvimento do Ministério Público brasileiro.

Magalhães, Eudoro

  • Pessoa singular
  • 30/11/1905-28/01/1966

Dr. Eudoro Magalhães nasceu no Rio de Janeiro. Graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 1930. Iniciou a carreira pública em 1924, na Recebedoria do Distrito Federal, ocupando o cargo de Encarregado da Venda Externa de Selos Adesivos, cuja denominação foi alterada, em 1931, para Auxiliar de Fiscalização de Impostos Externos, função que exerceu até 1935. Nesse período, publicou as obras Índice dos Impostos Federais (1932), Prontuário do Novo Regulamento sobre Vendas Mercantis (1933) e Manual Prático do Imposto de Renda (1933).

Exonerou-se da área fiscal para assumir o cargo de Chefe de Revisão de Debates da Câmara Municipal do Distrito Federal, função exercida entre 1935 e 1939. Nesse período, conciliou suas atividades com o jornalismo no Jornal do Brasil, periódico com o qual colaborou durante décadas. Em razão dessa estreita relação, sua trajetória profissional foi amplamente documentada pelo jornal e por outros periódicos da época, especialmente no que se refere à sua atuação como Curador de Menores.

Em 1939, foi nomeado 23º Promotor Público da Procuradoria-Geral da Justiça do Distrito Federal, com atuação junto à 7ª Pretoria Criminal. As pretorias constituíam órgãos judiciários de primeira instância, organizados territorialmente de acordo com as freguesias (bairros) da então Capital Federal. Naquele mesmo ano, publicou a segunda edição da obra Manual Prático do Imposto de Renda.

No ano seguinte, passou a atuar cumulativamente junto à 15ª Vara Criminal e à Vara de Menores, iniciando uma longa trajetória como Curador de Menores interino, até assumir a titularidade do cargo de 1º Curador de Menores, em 1954. Ao todo, dedicou vinte anos à área da infância e juventude, até sua promoção ao cargo de Procurador de Justiça, em 1960.

Em 1942, publicou a obra A Aplicação da Pena na Nova Lei Penal. As reportagens que acompanhavam sua atuação como Curador de Menores abordavam temas variados, desde orientações sobre a participação de menores nos bailes de carnaval até a fiscalização de estabelecimentos de assistência à infância e a classificação etária de filmes cinematográficos, revistas, programas de rádio e de televisão, então ainda em fase inicial de desenvolvimento no país. Também se destacaram casos relacionados a maus-tratos e exploração infantil, como a desarticulação de uma rede de "aluguel de menores", em 1959.

Foi ainda membro do Conselho Penitenciário, na qualidade de representante do Ministério Público, em 1953; eleito membro do Conselho Superior da Sociedade Brasileira de Criminologia no mesmo ano; designado integrante da comissão nomeada pelo Ministro da Justiça para elaborar relatório sobre a situação dos menores abandonados; e membro da comissão encarregada de elaborar o anteprojeto de um novo Código de Menores, em substituição ao de 1927, em 1956. Embora bastante debatida, a nova legislação somente seria aprovada em 1979.

Como Procurador de Justiça, atuou junto à 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da Guanabara. Entre 1964 e 1966, presidiu a Associação do Ministério Público da Guanabara, vindo a falecer no exercício do cargo, aos 61 anos de idade.

Silva, Luiz Pio Duarte

  • Pessoa singular
  • 26/04/1871-06/01/1945

Natural de Santa Catarina, Dr. Luiz Pio Duarte Silva nasceu em 26 de abril de 1871. Iniciou sua formação jurídica na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1890, e, no ano seguinte, transferiu-se para a Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1893 e, no mesmo ano, passou a atuar como Promotor Público Interino em Niterói.

O Decreto nº 272, de 29 de junho de 1891, que organizou a Justiça no Estado do Rio de Janeiro, estabeleceu, em seu Capítulo XI, dedicado ao Ministério Público, então órgão auxiliar do Poder Judiciário, os seguintes cargos: Procurador do Estado junto ao Tribunal da Relação, função equivalente ao atual Procurador-Geral de Justiça; Substituto do Procurador do Estado; Promotor Público; Adjunto de Promotor; e Curador de Órfãos. À época, não havia carreira estruturada, sendo os cargos de livre nomeação e exoneração pelo Presidente do Estado, correspondente ao atual Governador.

Nesse contexto, poucos anos após a institucionalização do Ministério Público no Brasil, em 1891, Dr. Luiz Pio foi nomeado, em 1894, Promotor Público do Ministério Público do antigo Estado do Rio de Janeiro, na comarca de Santa Maria Madalena. Em 1896, foi nomeado 6º Adjunto das Promotorias do Ministério Público do Distrito Federal, servindo perante as 12ª, 13ª e 14ª Pretorias, antigas divisões judiciárias e administrativas de primeira instância.

Em 1905, tomou posse como 4º Promotor Público do Ministério Público do Distrito Federal, permanecendo no cargo por vinte e um anos. Ao longo desse período, atuou junto às 2ª, 3ª e 4ª Varas Criminais, além de exercer funções no Tribunal do Júri. Na vida pessoal, integrou a Mesa Administrativa da Irmandade de São José e São Sebastião da Paróquia de Jacarepaguá, na qualidade de Conselheiro, em 1920.

Exerceu a função de Curador de Menores entre 1926 e 1938, sendo o primeiro membro da instituição a ocupar esse cargo, criado pelo Decreto nº 16.272, de 20 de dezembro de 1923, que regulamentou a assistência e a proteção aos menores abandonados e delinquentes. O referido diploma instituiu o Juízo de Menores na Capital Federal, o primeiro do gênero no Brasil e na América Latina. Funcionava na Rua das Laranjeiras, nº 230, edifício onde atualmente está instalado o Instituto Nacional de Educação de Surdos.

As atribuições do Curador de Menores incluíam a realização de visitas a diversas instituições destinadas ao acolhimento de menores abandonados, com o objetivo de fiscalizar as condições em que viviam. Também lhe competia averiguar o trabalho infantil em fábricas, verificando o cumprimento da legislação vigente, que estabelecia a idade mínima de quatorze anos para a admissão em empregos.

Em relatório apresentado em 1936, referente às atividades desenvolvidas pela Curadoria de Menores no ano anterior, Dr. Luiz Pio destacou as precárias condições das instalações do Juízo de Menores, que não dispunha de espaço adequado para o desenvolvimento de suas atividades e encontrava-se distante das regiões mais pobres da cidade, justamente aquelas para as quais havia sido concebido. Na ocasião, apresentou diversas propostas de aprimoramento, entre as quais se destacam a uniformização do ensino nos estabelecimentos destinados aos menores assistidos por instituições públicas e particulares, bem como a implementação de ensino intensivo e irrestrito em todos os patronatos e abrigos, com o propósito de elevar o nível educacional da juventude acolhida.

Após quarenta e cinco anos de dedicação ao Parquet, Dr. Luiz Pio aposentou-se em 1938. Sete anos depois, veio a falecer. Sua longa trajetória institucional é marcada pelo fato de ter ingressado no Ministério Público em seus primeiros anos de existência, contribuindo significativamente para seu desenvolvimento, consolidação e fortalecimento.

Barros, Celso Fernando

  • Pessoa singular
  • 26/12/1935 – 02/04/2025

Dr. Celso Fernando de Barros nasceu em Corumbá, no antigo estado do Mato Grosso. Com a divisão do ente federativo em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por meio da Lei Complementar nº 31 de 11/10/1977, a cidade passou a pertencer à porção sul.

Estabeleceu residência no Rio de Janeiro, ainda jovem, concluindo o Curso Científico no prestigiado Colégio São José, na Tijuca, em 1953. O paraninfo de sua turma foi o jornalista e político Carlos Lacerda. Dr. Celso foi o orador da classe de formandos, atividade eloquente que iria marcar sua trajetória acadêmica e profissional. No ano seguinte, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual UERJ (1954-1958). Durante o curso, foi eleito para compor o Conselho Deliberativo da Associação Mato-grossense de Estudantes, pleito realizado na sede da União Nacional de Estudantes – UNE, para o biênio 1955-1956.

Formado, dedicou-se à advocacia até ser aprovado em primeiro lugar no concurso para o Ministério Público do extinto Estado da Guanabara em 1966. Foram 31 selecionados, sendo os 20 primeiros com nomeação imediata naquele mesmo ano. Dr. Celso foi nomeado 9º Defensor Público, cargo inicial da carreira à época. Foi promovido a Promotor Substituto em 1971 com designações junto ao I e II Tribunais do Júri (1971-1973) e às Varas Criminais da Capital (1973-1977). Destaca-se a sua atuação em 1976 como o promotor responsável pelo inquérito da fuga do ex-policial Mariel Maricot do Presídio da Ilha Grande, condenado a 60 anos de prisão por diversos crimes: morte, extorsão, falsificação e por chefiar uma quadrilha que agia na Zona Sul carioca. Também merece relevo sua indicação para acompanhar o inquérito instaurado pela Polícia Federal para apurar as fraudes no sistema de computação da Proconsult, empresa responsável pelo programa de apuração de votos nas eleições do Rio em 1982, a primeira por voto direto para o governo estadual desde o início do Regime Civil-Militar (1964-1985). Entre 1983 e 1987, deteve a titularidade da 19ª Curadoria de Ausentes, Órfãos e Interditos da Capital, período em que foi nomeado Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes, órgão da Secretaria de Justiça do Estado. Em 1987, foi promovido a Procurador de Justiça com designações predominantemente junto às Câmaras Cíveis até assumir a 3ª Procuradoria de Justiça junto à 2ª Câmara Cível do TJRJ (1991-2005).

Foi condecorado com o Colar do Mérito do MPRJ (1987) e com o Colar do Mérito Judiciário (1992) concedido pelo TJRJ.

Na administração superior, Dr. Celso Fernando de Barros exerceu as funções de Assessor de Direito Civil (1995-2003), Subprocurador-Geral de Assuntos Jurídicos (2003-2004) e Subprocurador-Geral de Assuntos Institucionais (2004-2005). Entre setembro de 2004 e janeiro de 2005 assumiu interinamente a chefia institucional em virtude do afastamento do Procurador-Geral de Justiça Antonio Vicente da Costa Júnior (2003-2005), por motivo de saúde. Sua indicação para o cargo pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores foi unânime, não apenas pela antiguidade na classe e experiência institucional, mas também pelo espírito pacificador, característica que foi fundamental em um momento político interno bastante delicado. Em dezembro daquele ano, aposentou-se.

Faleceu em 02 de abril de 2024, aos 84 anos de idade. É lembrado carinhosamente pela nobreza, modéstia, cordialidade e imensa generosidade no trato com colegas e funcionários, deixando um forte legado de valores e princípios para as gerações mais jovens.

Gussem, José Eduardo Ciotola

  • Pessoa singular
  • 20/09/1964

Natural de Barra do Piraí, no sul fluminense, Dr. Eduardo Gussem era filho do Procurador de Justiça José Ivanir Gussem. Cresceu em contato com o Direito, o que o inspirou a seguir na área. Em 1988, graduou-se pelo Centro Universitário de Valença (UNIFAA) e, em 1993, ingressou na carreira inicial do MPRJ, como Promotor de Justiça de 3ª Categoria. Suas primeiras designações foram em comarcas do interior, como nos municípios de Cantagalo e Paracambi.

Ao longo da carreira, atuou principalmente nas áreas Criminal e de Execução Penal. Iniciou sua trajetória administrativa em 2001, quando foi Coordenador do Centro Regional Administrativo Institucional (CRAAI) de Nova Iguaçu. Entre 2003 e 2005, foi Coordenador de Movimentação dos Membros do MP e, em seguida, Secretário-geral de Administração (2005-2006).

Enquanto Promotor de Justiça, Dr. Eduardo Gussem foi eleito Presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (AMPERJ) para o biênio 2007-2009. Durante sua gestão, assinou um convênio com a PUC-RJ, criando um curso de pós-graduação voltado exclusivamente a membros do Ministério Público. Em 2013, foi promovido a Procurador de Justiça e no mesmo ano ocupou o cargo de Subprocurador-Geral de Justiça de Administração, permanecendo até 2015.

Entre 2015 e 2016, foi Subprocurador-Geral de Justiça de Planejamento Institucional e um de seus principais trabalhos foi o desenvolvimento da plataforma digital “MPRJ em Mapas”. A estrutura reunia um banco de dados com informações sociais, institucionais e administrativas de equipamentos públicos do Estado, a exemplo da localização de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Corpo de Bombeiros e escolas, que permitiam executar a gestão do território fluminense.

Em 2017, foi eleito Procurador-Geral de Justiça e chefiou o Parquet até 2019, quando foi reconduzido ao cargo como candidato único. Dr. Eduardo Gussem permaneceu como chefe da instituição até 2021, quando, ao final de seu mandato, aposentou-se. Sua gestão foi marcada pela elaboração de medidas efetivas junto ao Estado para o enfrentamento da COVID-19 e a implementação e desenvolvimento de estruturas tecnológicas, que posteriormente foram adotadas por outras instituições no país.

Além disso, foi durante sua gestão que o Centro de Memória Procurador de Justiça João Marcello de Araújo Júnior foi reativado e iniciou a gestão “Há algo novo”, coordenada pelo Procurador de Justiça Márcio Klang. Dr. Gussem impulsionou também a primeira exposição do memorial em 2018 - “Ministério Público: 127 anos no Rio de Janeiro – desde 1891”, e a publicação de seu primeiro livro “CDM/MPRJ: Há algo novo”, em 2020.

Entre as condecorações recebidas estão: Medalha Tiradentes (ALERJ, 2023); Medalha Evandro Lins e Silva (OAB/RJ, 2024); Medalha Campos Salles (2024); e Colar do Mérito (2025), estes dois últimos concedidos pelo MPRJ.
Atualmente é Oficial de Integridade na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Paralelamente, é Conselheiro efetivo da OAB/RJ, Presidente da 6ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina e Presidente da Comissão de Compliance Corporativo da mesma entidade, além de gerenciar o escritório Gussem Lemos Basto Advogados.

Marques, Mônica Martino Pinheiro

  • Pessoa singular
  • 02/10/1970

Mônica Martino Pinheiro Marques nasceu no Rio de Janeiro/RJ e graduou-se em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) em 1994. Iniciou a carreira profissional em 1996, como técnica judiciária do Tribunal Regional Federal, função que exerceu até 1998. Prestou provas para o XXI Concurso e ingressou na instituição em 1998 como Promotora de Justiça.
No início da carreira, trabalhou em Varas Criminais em bairros como Bangu, Campo Grande e Madureira, com intensa atuação no Tribunal do Júri. Na sequência, atuou na 7ª Promotoria de Investigação Penal da 3ª Central de Inquéritos entre 2005 a 2013.
No âmbito administrativo, foi Subcoordenadora do 7º Centro de Apoio Operacional da 3ª Central de Inquéritos (2005-2009), Coordenadora do 2º Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Criminais (2009-2011) e Subcoordenadora da Secretaria da Coordenadoria de Combate à Sonegação Fiscal (2011-2013), além de examinadora de concursos para ingresso na carreira de promotor de Justiça na banca de Direito Penal.
Após 13 anos trabalhando na 16ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos, atual 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área Santa Cruz do Núcleo Rio de Janeiro, e lidando frequentemente com investigações sobre abuso sexual de menores, em 2021 criou o projeto "Educar é Proteger". Por meio de palestras de conteúdo lúdico e educativo, recursos audiovisuais são usados para promover a educação e a prevenção contra crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes. O projeto "Educar é Proteger" promove a conscientização de crianças, adolescentes e profissionais da educação sobre as diferentes formas de abuso, os perfis de abusadores e as orientações sobre onde buscar ajuda em caso de violência.
O projeto está inscrito no banco de projetos do Conselho Superior do Ministério Público, o que garante a propagação das boas práticas em todo território nacional e busca a interdisciplinaridade, a não revitimização das crianças e a garantia da prioridade constitucional da proteção à infância.
Atualmente, além da 1ª PIP da Área Santa Cruz do Núcleo Rio de Janeiro, Dra. Mônica Marques atua como Coordenadora do Núcleo de Investigação das Promotorias de Justiça de Investigação Penal do Rio de Janeiro da Barra da Tijuca.

Oliveira, Gabriela Brandt de

  • Pessoa singular
  • 18/09/1974

Gabriela Brandt de Oliveira nasceu em Brasília/DF e graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1996. Foi analista judiciária do Tribunal Regional do Trabalho/ RJ (1997-1998) e Auditora Fiscal de Tributos no Rio Grande do Norte (1998-2007). Em 2007, ingressou no MPRJ como Promotora de Justiça Substituta, aprovada no XXIX Concurso.
Desde os primeiros anos da carreira ministerial, dedicou-se à causa da criança e do adolescente. Integrou, voluntariamente, o projeto “Cada Criança, Uma Família”, criado pelo MPRJ em 2009 para analisar os casos de jovens que viviam em abrigos e promover sua definição jurídica, direcionando-os às famílias biológicas ou famílias substitutas. De 2010 a 2013 foi Assessora do 4° Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude e gestora do Módulo Criança e Adolescente (MCA), um sistema online de cadastro criado pelo MPRJ para reunir dados de abrigos e de jovens acolhidos no estado do Rio de Janeiro, facilitando a integração de todas as entidades de proteção de crianças e adolescentes. Pela gestão à frente do Módulo recebeu menção honrosa do Conselho Nacional do Ministério Público (2013).
Entre 2014 e 2018 foi assessora da Corregedoria-Geral do MPRJ. De 2019 a 2021 esteve lotada na 1ª Promotoria de Justiça de Infância e Juventude de Belford Roxo, onde desenvolveu o projeto "Filosofia Futebol Clube: os jogos da vida", que visava a ressocialização de jovens em conflito com a lei por meio de reflexões filosóficas sobre futebol, liberdade e cidadania.
Entre 2021 e 2024 foi promotora titular de Rio das Flores, onde atuou, entre outras atividades, na conscientização de crianças e adolescentes sobre o papel do MP na defesa de seus direitos e a importância de uma cultura de paz nas escolas. Atualmente, Gabriela Brandt de Oliveira está lotada na 2ª Promotoria de Justiça junto à 1ª Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA), é assistente da Assessoria de Atribuição Originária Cível e Institucional do MPRJ e integra o GE-Prevint, Grupo Executivo de Prevenção a Ilegalidades em Internações Psiquiátricas Involuntárias e de Desinstitucionalização.

Lyra, Romero Lallemant

  • Pessoa singular
  • 09/07/1958

Romero Lallemant Lyra nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Formou-se em Direito pela PUC-Rio em 1982, mesma faculdade onde lecionou por quatorze anos (1985-1999). Em 1991, ingressou no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro como Promotor de Justiça, aprovado no X Concurso.
Durante os primeiros anos na instituição, integrou a Coordenação de Defesa da Cidadania (1994-1996) e entre 1995 e 1996 foi assistente da Corregedoria-Geral. Em 1996 foi lotado na 18ª Promotoria de Investigação Penal (PIP)da 1ª Central de Inquéritos, onde passou a dedicar-se ao combate de crimes pela internet, em especial à produção e compartilhamento de conteúdo relativo ao abuso sexual infantil. Como resultado de um intenso trabalho de investigação junto a Promotoria da Infância e Adolescência, deflagrou em 1998 a Operação Catedral-Rio, com o objetivo de desmantelar redes de exploração sexual infantil no estado do Rio de Janeiro.
Em 2000, como desdobramento da Operação, conciliou com a 18ª PIP a chefia da Coordenadoria de Investigações Eletrônicas, órgão responsável pelo mapeamento e combate de crimes virtuais.
Após quase duas décadas de combate à violência contra crianças e adolescentes, Romero Lallemant Lyra se aposentou em 2009.

Carvalhido, Hamilton

  • Pessoa singular
  • 10/05/1941 -17/01/2021

Natural do Rio de Janeiro, Dr. Hamilton Carvalhido graduou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro, pertencente à antiga Universidade Gama Filho, em 1963.
Em 1966 foi aprovado no concurso para Defensor Público, à época, cargo inicial da carreira do Ministério Público do Estado da Guanabara. Com maior atuação na área criminal, manteve-se na função até 1971, quando promovido a Promotor de Justiça Substituto. Durante quatro anos (1981-1985) esteve à frente da 2ª Curadoria de Menores, na sequência, foi promovido a Procurador de Justiça (1985). Foi agraciado com o Colar do Mérito do MPRJ em 1992.
Na esfera administrativa, atuou como Subprocurador-Geral de Justiça (1994-1995) e foi alçado a Procurador-Geral de Justiça em 1995, após ser o mais votado pela classe. A principal meta de sua gestão foi aprofundar o compromisso do MP na defesa da sociedade, estreitando essa relação. Para tanto, investiu na descentralização da instituição no município do Rio, criando Coordenadorias Institucionais, como as de Campos e de São Gonçalo e, depois, Centros de Apoio Operacional. Outro passo importante foi a retomada da publicação da Revista do Ministério Público, interrompida em 1990, inaugurando sua terceira fase em 1995.
O reconhecimento do trabalho realizado por Dr. Carvalhido à frente do MPRJ, o fez ser reeleito Procurador-Geral e reconduzido à chefia institucional para o biênio 1997-1998. Na segunda fase da gestão, o principal marco foi a inauguração da nova Sede do MPRJ, na Av. Marechal Câmara, n° 370. Após negociações que efetivaram a cessão do edifício pelo governo federal, o espaço passou por uma ampla reforma e foi inaugurado em 12 de dezembro de 1997, na solenidade de celebração do Dia Nacional do Ministério Público. A aquisição da nova sede foi definida por vários membros como “um acontecimento histórico para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, marco dos novos tempos”.
Dr. Carvalhido conciliou o parquet com o magistério, lecionando na Universidade Gama Filho, no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e no Instituto Brasiliense de Direito Público (atual IDP).
Após 33 anos de Ministério Público, Dr. Carvalhido exonerou-se em 1999 para tomar posse como Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em vaga destinada a membros do Ministério Público.
Aposentou-se em 2011 e faleceu em janeiro de 2021, aos 79 anos, vitimado pela Covid-19.

Fischer, Nicanor Medici

  • Pessoa singular
  • 09/11/1930 - 17/11/2023

Nascido em Bagé, Rio Grande do Sul, Dr. Fischer migrou com a família para o Rio de Janeiro em 1951. Inspirado no pai, advogado, optou pela carreira jurídica. Formado pela PUC-Rio em 1955, advogou na área trabalhista por alguns anos, até o ingresso no MP do antigo Estado do Rio de Janeiro em 1965. Após a intensa mobilização na “Vigília Institucional”, a escolha feita pela classe e a nomeação referendada por Brizola, exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça entre 15/03/1983 e 16/04/1984 , promovendo o nivelamento dos quadros funcionais dos membros oriundos dos dois estados. Atuou como Assessor Especial da Presidência da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) e como Corregedor-Geral do MPRJ no período entre 20/03/1987 e 23/06/1988, aposentando-se em 1995. Faleceu aos 93 anos de idade.

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