Zona de identificação
tipo de entidade
Pessoa singular
Forma autorizada do nome
Mendonça, Carlos Sussekind de
Forma(s) paralela(s) de nome
Forma normalizada do nome de acordo com outras regras
Outra(s) forma(s) de nome
identificadores para entidades coletivas
Área de descrição
Datas de existência
17/02/1899 - 23/07/1968
Biografia
Dr. Carlos Sussekind de Mendonça era natural da cidade do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1920. Nascido em uma tradicional família de juristas e escritores e possuidor de uma mente aguçada e inquieta, destacou-se desde a juventude pelo intenso engajamento nas atividades jornalísticas e literárias.
Ainda durante a graduação, estabeleceu sólida e duradoura amizade com Roberto Lyra Tavares, outro grande expoente do Ministério Público. Ambos atuaram como redatores em jornais acadêmicos e, após a conclusão do curso, compartilharam escritório de advocacia por alguns anos. Colaborou também com os periódicos O Jornal e A Quinzena Judiciária, além de ter exercido a direção do jornal A Esquerda.
Na carreira jurídica, exerceu o cargo de Suplente de Juiz da 6ª Pretoria Criminal entre 1924 e 1931, antiga estrutura judiciária de primeira instância. Nesse período, participou do concurso de títulos promovido pela Comissão de Promoções e Nomeações da Justiça Local para ingresso no Ministério Público do Distrito Federal, classificando-se em primeiro lugar entre quarenta e sete candidatos.
Foi nomeado 7º Promotor Adjunto em 1931, destacando-se por sua atuação na área criminal, especialmente como 4º Promotor Público do Tribunal do Júri e junto à 8ª Vara Criminal. Em 1946, foi promovido ao cargo de 3º Curador de Família e, em 1949, transferido para a função de 2º Curador de Menores, permanecendo nessa atividade até sua promoção ao cargo de 1º Procurador de Justiça, em 1959.
O cargo de Procurador de Justiça, assim como o Conselho do Ministério Público, foram instituídos pelo Código do Ministério Público do Distrito Federal (Lei nº 3.434, de 20 de julho de 1958). Nos termos da nova legislação, além do Procurador-Geral de Justiça, o Conselho era composto por quatro membros: dois indicados pelo Presidente da República e dois eleitos pelos integrantes da instituição. Dr. Carlos Sussekind de Mendonça foi eleito para uma dessas vagas, integrando, assim, a primeira composição do órgão.
Posteriormente, exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça entre 12 de dezembro de 1960 e 20 de setembro de 1962. Aposentou-se em 1966, na função de 1º Subprocurador de Justiça.
Entre as diversas atividades que desempenhou ao longo da carreira, destacam-se sua atuação como membro da Sociedade Brasileira de Criminologia, a partir de 1933; Livre-docente de Direito Penal na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a partir de 1937; representante do Ministério Público no Conselho Penitenciário entre 1945 e 1966; e Presidente da Associação do Ministério Público do Distrito Federal no biênio 1948-1950.
Em 1939, foi eleito membro da Academia Carioca de Letras. Publicou importantes obras, entre elas Afirmações Católicas em Torno de Vários Temas (1929), Quem Foi Pedro II: Golpeando de Frente o Saudosismo (1929), O Sensacionalismo: Suas Causas, Suas Formas, Seus Efeitos, Suas Culpas, Seus Remédios (1931), Sensacionalismo, em coautoria com Roberto Lyra (1933), Sílvio Romero: Sua Formação Intelectual – 1851-1880 (1938), Salvador de Mendonça: Democrata do Império e da República (1960) e Sílvio Romero, de Corpo Inteiro (1963).
Foi ainda agraciado com as medalhas Marechal Caetano de Faria e Marechal Hermes, concedidas pelo Ministério da Justiça em 1956, e com a medalha Mérito Forense, outorgada pelo Comitê de Imprensa da Justiça do Distrito Federal em 1960.
Faleceu aos 69 anos de idade, deixando importante legado nas áreas jurídica, literária e institucional, com significativa contribuição para o desenvolvimento do Ministério Público brasileiro.