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Registro de autoridade

Souza, Rosana Barbosa Cipriano

  • Pessoa singular
  • 20/01/1974

Dra. Rosana Barbosa Cipriano de Souza nasceu em São Luís/MA. No Rio de Janeiro, iniciou seus estudos na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Durante a graduação foi estagiária em diversos órgãos públicos, como a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. Em 1997 graduou-se em Direito e no ano seguinte, em 1998, foi aprovada em 1º lugar no XXI Concurso para o cargo de Promotora de Justiça do MPRJ.

Nos primeiros anos da carreira, foi titular da Promotoria de Justiça de Maricá (1999-2001), da 6ª Promotoria de Justiça da 10ª Região do Ministério Público (2002-2008) e atuou em Varas da Família da Capital (2003-2004). A partir de 2008, passou a integrar Promotorias de Justiça da Infância e da Juventude, onde permaneceu por dez anos.

Em 2012, em reconhecimento à sua atuação na proteção da infância e juventude, Dra. Rosana Cipriano foi homenageada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (CMDCA-RJ), por ocasião das comemorações dos 20 anos da entidade.

Foi titular da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Infância e da Juventude da Capital, por cinco anos, onde participou de diversos encontros e congressos dedicados aos direitos da criança e do adolescente.

Atualmente, Dra. Rosana Cipriano é titular da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Proteção à Educação da Capital e supervisora do Estágio Probatório de promotores do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Além disso, é professora do curso de pós-graduação em Infância da Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (FEMPERJ) e, desde 2002, é mestre em Direito Constitucional e Humanos pela Universidade Antônio de Nebrija (Espanha).

Paes, Emiliano Rodrigues Brunet Depolli

  • Pessoa singular
  • 25/05/1976

Natural do Rio de Janeiro/RJ, Dr. Emiliano Brunet graduou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é Mestre e Doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ e ingressou no MPRJ em 2000, aprovado em concurso público.

Nos primeiros anos, atuou na 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Nova Iguaçu (2002-2007). Entre 2013 e 2015, exerceu a função de Coordenador da Coordenadoria de Planejamento Institucional do MPRJ, área em que voltou a atuar entre 2019 e 2020. Desde 2012, é titular da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Proteção à Educação da Capital, e a partir de 2022, passou a exercer a função de Assessor da Corregedoria-Geral do Ministério Público.

No âmbito acadêmico, Dr. Emiliano Brunet integra o corpo docente efetivo da UFRJ, onde leciona Direito Administrativo e Políticas Públicas e atua como Professor no Programa de Pós-Graduação em Direito. É membro da Rede Direito e Políticas Públicas (Rede DPP) e da IPPA (International Public Policy Association).

Moraes, Bianca Mota de

  • Pessoa singular
  • 13/05/1973

Dra. Bianca Mota de Moraes nasceu em Salvador/BA. Graduada em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestra em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (Portugal), iniciou sua carreira no MPRJ em 1997, aprovada no XX Concurso para ingresso na carreira ministerial. A partir de 2001, passou a atuar principalmente nas áreas da Infância e Juventude e Tutela Coletiva de Proteção à Educação.

Foi Subcoordenadora do 4º Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude (2005-2008) e titular da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Proteção à Educação da Capital (2009-2016). Entre 2013 e 2016, exerceu a função de Coordenadora do CAO Educação/MPRJ, quando também coordenou a Comissão Permanente de Educação (COPEDUC) do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Justiça (CNPG) e integrou o Grupo de Trabalho da Educação da Comissão de Direitos Fundamentais do CNMP.

Dra. Bianca Mota voltou a coordenar o CAO Educação/MPRJ em 2025. Desde então, também voltou à Comissão Permanente de Educação (COPEDUC) do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Justiça (CNPG) e participa de diversos eventos voltados à promoção e ao fortalecimento da educação escolar. Em julho de 2026, foi promovida à Procuradora de Justiça.

Avena, Rodolfo Antonio

  • Pessoa singular
  • 02/07/1927 - 30/01/2012

Nascido em Salvador, Dr. Rodolfo Antonio Avena graduou-se em Ciências Contábeis e Atuariais e, posteriormente, em Direito. Entre 1952 e 1954, exerceu a função de Assessor do Governador do Estado da Bahia. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1955 e, cinco anos depois, ingressou no Ministério Público do Distrito Federal como 12º Defensor Público Interino, sendo transferido, poucos meses depois, para o Ministério Público do Estado da Guanabara.

Como Promotor de Justiça, atuou principalmente no I Tribunal do Júri, onde permaneceu por seis anos, entre 1965 e 1971. Nesse período, participou de investigações e processos de grande repercussão nacional, com destaque para o combate ao jogo do bicho, ao Esquadrão da Morte e à Operação Mata-Mendigos.

O termo “Esquadrão da Morte” surgiu no final da década de 1950 para se referir a uma organização criminosa formada por policiais e ex-militares, responsáveis por inúmeros assassinatos. Os casos ganharam grande repercussão entre as décadas de 1960 e 1970. Dr. Rodolfo Avena esteve à frente de algumas apurações e teve uma atuação bastante combativa, mesmo diante das dificuldades para obter informações sobre os crimes.

Já a Operação Mata-Mendigos ocorreu no início da década de 1960. A ação era realizada pelo Serviço de Repressão à Mendicância (SRM), vinculado ao Departamento Estadual de Segurança Pública (DESP) da Guanabara, formado por membros da polícia carioca. O episódio mais emblemático foi a “chacina do Rio da Guarda” no bairro de Santa Cruz, na qual diversas pessoas em situação de rua foram assassinadas. À época, Dr. Rodolfo Avena destacou a gravidade do caso, afirmando se tratar de um “crime monstruoso”, que provocava repulsa social.

Entre 1971 e 1973 esteve à frente da Superintendência do Sistema Penitenciário, dedicando-se à reestruturação e ao aprimoramento do sistema, com atenção à humanização das condições prisionais. Sob sua gestão, foi inaugurada, em Bangu, a primeira creche da América Latina destinada aos filhos de presidiários.

Paralelamente à carreira no Ministério Público, integrou, por 12 anos, a diretoria do Clube de Regatas do Flamengo. Nesse período, participou da diretoria jurídica, do departamento de relações externas e do grupo de conselheiros da instituição.

Em 1975, Dr. Rodolfo Avena foi nomeado Diretor-Geral do Departamento de Polícia Civil. Com a fusão dos antigos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, ficou responsável pela elaboração do trabalho de integração dos organismos policiais das duas estruturas. O processo foi realizado com rapidez e eficiência e recebeu elogios durante uma sessão da Assembleia Legislativa.

Entre 1976 e 1980, voltou a atuar no Tribunal do Júri, em casos relacionados, especialmente, a homicídios e abusos de poder. Em 1980, participou da Vigília Institucional, movimento que marcou a mobilização de Promotores e Procuradores de Justiça em defesa do reajuste salarial e da independência funcional do Ministério Público. Três anos depois, em 1983, foi promovido ao cargo de Procurador de Justiça.

Após mais de três décadas de atuação no Ministério Público, aposentou-se em 1992.

Dr. Rodolfo Avena faleceu em janeiro de 2012, deixando como legado sua dedicação à Justiça, seu compromisso com a instituição e sua atuação em defesa de condições mais humanas no sistema penitenciário.

Carvalhido, Hamilton

  • Pessoa singular
  • 10/05/1941 -17/01/2021

Dr. Hamilton Carvalhido nasceu no Rio de Janeiro/RJ. Graduou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro, que se tornaria a Faculdade de Direito da Universidade Gama Filho, em 1963, onde exerceu arrojada liderança acadêmica como presidente do Centro Acadêmico em paralelo à carreira nas forças armadas.

Em 1966, foi aprovado no concurso para Defensor Público, à época, cargo inicial da Carreira do Ministério Público do Estado da Guanabara. Com maior atuação na área criminal, manteve-se na função até 1971, quando foi promovido a Promotor de Justiça Substituto. Em 1975, com a fusão entre o antigo Estado do Rio e a Guanabara, migrou para o MPRJ e, no ano seguinte, foi promovido a Promotor de Justiça de 1ª Categoria. Durante quatro anos (1981-1985) esteve à frente da 2ª Curadoria de Menores. Na sequência, foi promovido ao cargo de Procurador de Justiça (1985). Foi agraciado com o Colar do Mérito do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em 1992.

Na esfera administrativa, atuou como Subprocurador-Geral de Justiça (1994-1995) e foi eleito Procurador-Geral de Justiça em 1995. A principal meta de sua gestão foi aprofundar o compromisso da instituição na defesa da sociedade, estreitando essa relação. Para tanto, investiu na descentralização do MPRJ, criando Coordenadorias Regionais de Apoio Administrativo Institucionais (CRAAI), como as de Campos e São Gonçalo, e, posteriormente, os Centros de Apoio Operacional (CAO). Outro passo importante foi a retomada das publicações da Revista do Ministério Público, inaugurando sua terceira fase em 1995, com o objetivo de manter viva a tradição cultural do Parquet Fluminense.

O reconhecimento do trabalho realizado por Dr. Carvalhido à frente do MPRJ o reconduziu à chefia institucional para o biênio 1997-1999. Na segunda fase da gestão, o principal marco foi a inauguração da nova Sede do MPRJ, na Av. Marechal Câmara, n° 370. Após negociações que efetivaram a cessão do edifício pelo governo federal, o espaço passou por uma ampla reforma e foi inaugurado em 12 de dezembro de 1997, na solenidade de celebração do Dia Nacional do Ministério Público. A conquista da nova sede foi definida por vários membros como “um acontecimento histórico para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, marco dos novos tempos”.

Além dos feitos como Defensor Público, Promotor e Procurador de Justiça, Dr. Carvalhido conciliou o Parquet com o magistério, lecionando na Universidade Gama Filho, no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e no Instituto Brasiliense de Direito Público (atual IDP).

Após 33 anos de Ministério Público, Dr. Carvalhido exonerou-se em 1999 para tomar posse como Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em vaga destinada a membro do Ministério Público. No Judiciário exerceu várias funções, entre as quais a Presidência da Terceira e da Sexta Turma, responsável por dirigir sessões ordinárias e convocar sessões extraordinárias, além de atuar como Diretor da Revista do Superior Tribunal de Justiça.

Dr. Hamilton Carvalhido aposentou-se em 2011 e faleceu em janeiro de 2021, aos 79 anos, vitimado pela Covid-19, deixando um legado de dedicação à carreira jurídica e ao Estado Brasileiro.

Matos, Luis Fernando Ribeiro

  • Pessoa singular
  • 28/11/1941 - 19/05/2008

Dr. Luis Fernando Ribeiro Matos era Natural do Rio de Janeiro. Durante a juventude, estudou no Colégio Pedro II. Ao concluir o ensino médio, foi aprovado nos vestibulares da Universidade do Estado da Guanabara, atual UERJ, e da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Optou por prosseguir os estudos em ambas as universidades, onde cursou, respectivamente, Letras Clássicas e Direito. Em 1964, concluiu as duas graduações e passou a exercer o magistério como professor de Língua Portuguesa na rede pública estadual de ensino, onde permaneceu por quatro anos (1967–1971).

Em 1971, foi aprovado no 3º Concurso para ingresso na classe inicial de carreira do Ministério Público do Estado da Guanabara, sendo nomeado 23º Defensor Público. Três anos depois, foi promovido ao cargo de 41º Promotor Substituto, cuja denominação seria posteriormente alterada para Promotor de Justiça de 2ª Categoria.

Na década de 1980, integrou a Diretoria da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (AMPERJ) como Diretor Social no biênio 1980–1982. Nesse período, participou da Vigília Institucional, movimento iniciado em novembro de 1980 e considerado a primeira greve de membros do Ministério Público brasileiro. A mobilização tinha como objetivo reivindicar melhores condições de trabalho e a equiparação remuneratória.

Ao longo de sua carreira, Dr. Luis Fernando também se destacou pelo exercício de funções administrativas. Entre 1983 e 1987, foi Subsecretário da Secretaria de Estado de Administração do Rio de Janeiro. Neste período, esteve à frente da criação do primeiro plano de cargos e salários para os funcionários do Ministério Público, iniciativa que posteriormente contribuiu para a abertura de concursos para diversas áreas da instituição.

Em 1989, foi promovido a Procurador de Justiça. Dois anos depois, foi nomeado Corregedor-Geral do Ministério Público, função que exerceu entre 1991 e 1993. Ainda na década de 1990, participou da criação da Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (FEMPERJ), integrando o grupo de instituidores da entidade, que desde então desempenha papel relevante na formação e no aperfeiçoamento de membros e servidores da instituição. Em outubro de 1993, aposentou-se. Faleceu em 2008, aos 66 anos de idade. 

Otoch, Francisco Habib

  • Pessoa singular
  • 04/07/1918 - 16/03/2017

Natural de Fortaleza, Ceará, Dr. Francisco Habib Otoch graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará. Exerceu intensa atividade acadêmica, colaborando, juntamente com outros estudantes, para a fundação de uma agremiação voltada ao estudo jurídico e à prática processual.

Em 1937, ingressou pela primeira vez no Ministério Público do Estado do Ceará, sendo nomeado 1º Adjunto de Promotor de Justiça da 2ª Vara do Termo de Fortaleza, junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, onde permaneceu até 1940.

Após três anos de exercício da advocacia, em 1946, já no Rio de Janeiro, foi nomeado 11º Advogado de Ofício, função correspondente, à época, à atuação da Defensor Público, passando a integrar o Ministério Público do Distrito Federal. Em 1956, foi promovido a Promotor Substituto e, em 1960, a Promotor Público. Acompanhou de perto a mudança da capital federal para Brasília, mas optou por permanecer no Rio de Janeiro, passando a integrar o Ministério Público do Estado da Guanabara. Em 1964, foi promovido a Curador e designado 1º Curador de Órfãos.

Descendente de libaneses, Dr. Otoch participou ativamente da vida social do Clube Monte Líbano, no bairro da Lagoa, no Rio de Janeiro, por quase duas décadas, entre 1959 e 1977, exercendo funções como Diretor Cultural e Diretor-Geral, após sucessivas vitórias eleitorais. Entre os destaques de sua gestão esteve o estreitamento das relações entre libaneses e brasileiros e o fortalecimento dos laços culturais, estimulando a troca de experiências entre as comunidades.

Em 1973, exerceu o cargo de Chefe de Gabinete de Paulo Chermont, Procurador-Geral de Justiça do Estado da Guanabara. Em 1975, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, Dr. Otoch passou a integrar o atual Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e, na sequência, foi promovido a Procurador de Justiça.
Em novas experiências na esfera administrativa, foi 1º Subprocurador-Geral de Justiça, no período de 1987 a 1988, inomeado por Carlos Antônio da Silva Navega, então Procurador-Geral de Justiça. Nesse período, participou ativamente da criação do Centro dos Procuradores de Justiça (CEPROJUS), em 1987.
Em entrevista concedida ao projeto “Faces do MP”, em 2002, o patrono do CEPROJUS revelou sua motivação para o empreendimento: “Eu sonhei muito num lugar em que, depois de aposentados, nós pudéssemos conversar, trocar ideias e transmitir aos mais jovens aquilo que nós aprendemos com o correr da profissão”. Na mesma ocasião, afirmou considerar o Ministério Público a maior salvaguarda da democracia no Brasil e a instituição mater do país.

Em 1989, foi agraciado com o Colar de Honra ao Mérito do Ministério Público, atual Colar do Mérito, concedido pelo governador Moreira Franco.
Dr. Francisco Habib Otoch aposentou-se em 1988, após quatro décadas de atuação no Ministério Público, e faleceu em 2017, aos 98 anos.

Anjos, Hermano Odilon dos

  • Pessoa singular
  • 21/01/1914 – 15/03/2007

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Dr. Hermano Odilon dos Anjos graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Ingressou no Ministério Público do Distrito Federal em 1937, como Promotor Público.

Durante o governo de Getúlio Vargas, atuou como Assistente Jurídico do Porto do Rio de Janeiro (1942–1944) e como Oficial de Gabinete da Presidência da República (1945). Nessa função, era responsável por prestar apoio institucional ao Presidente da República e auxiliar nas atividades do Gabinete Civil. Já no governo de Juscelino Kubitschek, em 1958, foi nomeado Assistente de Gabinete do Ministro da Justiça, Carlos Cirilo Júnior.

Com a criação do Estado da Guanabara, em 1960, foi transferido para o Ministério Público do Estado do novo ente federativo. Em 1967, foi promovido a 18º Promotor de Justiça e, em setembro do mesmo ano, a Procurador de Justiça.

Com a fusão dos estados, em 1975, quatro anos depois, em março de 1979, voltou a ocupar o cargo de Procurador-Geral de Justiça. Em novembro daquele ano, exonerou-se da função para assumir como Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, pelo Quinto Constitucional, em vaga destinada ao Ministério Público.
Embora tenha permanecido no cargo de Procurador-Geral de Justiça por menos de um ano em seu segundo mandato, sua gestão foi marcada pela conclusão do concurso para Defensor Público de 3ª Categoria, um dos últimos, enquanto a carreira integrava a estrutura do MPRJ; e pela inauguração do auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, realizada com o apoio da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (AMPERJ).

Aposentou-se em 1984, após cinco anos de atuação como Desembargador. Foi agraciado com a Medalha do Mérito, concedida pela AMPERJ, em 1996, e com o Colar do Mérito do MPRJ, em 1997.

Dr. Hermano Odilon dos Anjos faleceu em março de 2007. Em sua homenagem, a Praça Antenor Fagundes, localizada em frente ao edifício-sede das Procuradorias de Justiça, no complexo-sede do MPRJ, foi renomeada em 2018, passando a denominar-se Praça Procurador-Geral de Justiça Hermano Odilon dos Anjos, em reconhecimento à dedicação e aos relevantes serviços prestados à instituição ao longo de sua trajetória no Parquet.

Guimarães, José Ricardo Lopes

  • Pessoa singular
  • 14/03/1941 - 12/07/2009

Nascido no Rio de Janeiro, Dr. José Ricardo Lopes Guimarães graduou-se em Direito pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas, atual SUESC, em dezembro de 1966 e, após atuar por cinco anos como advogado, foi aprovado no III Concurso para ingresso no Ministério Público do antigo Estado do Rio, em 1972.

Nomeado Promotor de Justiça de 1ª Entrância, sua primeira designação foi para a comarca de Miguel Pereira, onde foi responsável por denunciar dois políticos do antigo partido ARENA pela prática de fraude eleitoral. Em 1973, durante o V Congresso do Ministério Público Fluminense, Dr. José Ricardo apresentou sua tese jurídica intitulada “Sentença Condenatória e Prescrição”. Os congressos ministeriais foram importantes eventos que auxiliaram na construção e consolidação do modelo institucional no estado e no país.

Em 1974, foi promovido a Promotor de Justiça de 2ª Entrância, cargo cuja nomenclatura foi posteriormente alterada para Promotor de Justiça de 2ª Categoria. Teve passagens pelas comarcas de Volta Redonda e Barra do Piraí até que, em 1975, após a fusão dos antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, foi transferido para o atual MPRJ. No mesmo ano, integrou o grupo de trabalho responsável pela elaboração do anteprojeto da Lei Orgânica do Ministério Público do Rio de Janeiro, atuação que lhe rendeu elogio do então Procurador-Geral de Justiça, Rafael Cirigliano Filho. A primeira Lei Orgânica do Ministério Público viria a ser promulgada pela Lei Complementar nº 28, em 21/05/1982, fruto das lutas e reivindicações de seus membros.

Com a fusão dos estados, o Ministério Público passou a constituir uma única estrutura. Persistiam, contudo, disparidades salariais e diferenças nas condições de trabalho entre membros oriundos do antigo Estado do Rio e da Guanabara. Em meio às discussões sobre o nivelamento dos vencimentos, Dr. José Ricardo aparecia frequentemente em matérias jornalísticas da época reivindicando igualdade salarial entre todos os membros da instituição. Essas movimentações culminariam na chamada Vigília Institucional, ocorrida em novembro de 1980, a primeira e única greve de membros do Ministério Público no país.

Ao longo de sua carreira, Dr. José Ricardo ocupou também cargos na Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (AMPERJ), onde exerceu as funções de Secretário-Geral (1976–1978) e Membro do Conselho Deliberativo (1978–1980 e 1986–1988). Na Procuradoria-Geral de Justiça, desempenhou funções administrativas como Assistente (1987–1991) e Assessor Especial (1993–1995). Exerceu ainda a suplência do Corpo Deliberativo do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro como representante do MP (1987–1991).
Em 1989, foi promovido a Procurador de Justiça e, em 1995, tomou posse como Membro Titular do Conselho Superior do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, para o biênio 1995–1997.

Em maio de 1995, José Ricardo aposentou-se de suas funções no Parquet e faleceu em 2009. Sua trajetória no Ministério Público foi marcada pela atuação em defesa de melhores condições para a classe e pela contribuição à construção da atual estrutura institucional do Ministério Público fluminense.

Costa Júnior, Antonio Vicente da

  • Pessoa singular
  • 23/06/1936 - 27/12/2012

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Antonio Vicente da Costa Júnior graduou-se em Direito na Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ), em 1959. Durante a graduação, esteve profundamente envolvido em projetos universitários, tendo sido presidente do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) e da Associação Universitária de Recuperação dos Ex-Detentos (AUREX), fundada por estudantes daquela instituição de ensino, em 1957, com o objetivo de assistir ex-presidiários ao final do cumprimento de suas penas, auxiliando-os nos primeiros momentos após a libertação. Teve como colega de curso nesta empreitada o também futuro Promotor de Justiça, Leôncio de Aguiar Vasconcellos.

Em abril de 1960, foi nomeado 27º Defensor Público Interino do Ministério Público do recém-criado Estado da Guanabara. Entre 1963 e 1965, atuou principalmente junto à 26ª Vara Criminal e ao I e II Tribunal do Júri, em substituição ao 6º Promotor Público. No período, destacou-se no julgamento do caso da “Fera da Penha”, que chocou a sociedade carioca à época. Em 1965, foi promovido a 12º Promotor Substituto e, logo em seguida, nomeado pelo Governador do Estado, Negrão de Lima, para o cargo de Diretor da Penitenciária Lemos Brito.

Entre 1967 e 1969, exerceu a função de Superintendente do Sistema Penitenciário do Estado da Guanabara (SUSIPE), mantendo-se sempre envolvido nos debates sobre o sistema carcerário. Sua gestão foi marcada por uma visão humanista, com a criação de oficinas, reformas e construção de novas estruturas, implementação do ensino supletivo no sistema penitenciário, entre outras medidas voltadas à melhoria da qualidade de vida dos detentos e à qualificação profissional, de modo a facilitar sua reinserção no mercado de trabalho após a obtenção da liberdade.

Em 1970, dedicou-se ao II Tribunal do Júri e, no ano seguinte, foi convidado para auxiliar na implantação do sistema penitenciário no Estado de Pernambuco. Também participou dos estudos voltados ao aprimoramento do Sistema Penitenciário Brasileiro, em 1974. De 1977 a 1982, foi titular da 5ª Curadoria de Justiça de Família da Capital e, em 1979, foi novamente indicado para dirigir o Departamento do Sistema Penitenciário (DESIPE), cargo que ocupou até 1983.

Seu compromisso com um sistema penal mais humanizado foi uma constante na carreira. Ainda em 1979, integrou o grupo responsável pela redação do anteprojeto que propunha alterar o Código Penal, ao lado de juristas como Nilo Batista e Heleno Fragoso, introduzindo o livramento condicional especial, entre outras inovações. Para Dr. Antonio Vicente, a prisão não deveria representar apenas uma forma de punição, mas também oferecer condições para que o detento pudesse reconstruir sua vida de maneira produtiva.
Ainda em 1982, foi promovido a Procurador de Justiça. Foi condecorado, em 1990, com a Medalha do Mérito Penitenciário; o Colar do Mérito do MPRJ, em 1999 e; em 2003, com a Medalha Visconde de Mauá, concedida pela Associação Comercial do Rio (ACRJ), a mais alta condecoração da entidade.

Além de sua atuação no Parquet e no sistema penitenciário, foi professor de Direito Penal na Faculdade de Direito da UFRJ e Diretor do curso daquela instituição, entre 1988 e 1993.
Em 2003, tomou posse como Procurador-Geral de Justiça, terceiro colocado na lista tríplice, escolhido pela Governadora Rosinha Garotinho. Em setembro de 2004, por grave problema de saúde, afastou-se do cargo, que passou a ser exercido interinamente pelo Subprocurador-Geral de Justiça de Assuntos Institucionais, Dr. Celso Fernando de Barros, indicado pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores. Em dezembro de 2005, foi homenageado no Dia Nacional do Ministério Público, ocasião em que recebeu manifestações de carinho de colegas, que destacaram sua capacidade de diálogo, seu espírito conciliador, sua dedicação à instituição e o legado de coesão e respeito.

Licenciado do cargo de Procurador de Justiça, aposentou-se em 2006, encerrando uma trajetória de mais de 40 anos marcada pelo amor à instituição e pela defesa dos direitos coletivos. Em dezembro de 2012, faleceu em decorrência de complicações em seu quadro de saúde.

Silva, Luiz Pio Duarte

  • Pessoa singular
  • 26/04/1871-06/01/1945

Natural de Santa Catarina, Dr. Luiz Pio Duarte Silva nasceu em 26 de abril de 1871. Iniciou sua formação jurídica na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1890, e, no ano seguinte, transferiu-se para a Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1893 e, no mesmo ano, passou a atuar como Promotor Público Interino em Niterói.

O Decreto nº 272, de 29 de junho de 1891, que organizou a Justiça no Estado do Rio de Janeiro, estabeleceu, em seu Capítulo XI, dedicado ao Ministério Público, então órgão auxiliar do Poder Judiciário, os seguintes cargos: Procurador do Estado junto ao Tribunal da Relação, função equivalente ao atual Procurador-Geral de Justiça; Substituto do Procurador do Estado; Promotor Público; Adjunto de Promotor; e Curador de Órfãos. À época, não havia carreira estruturada, sendo os cargos de livre nomeação e exoneração pelo Presidente do Estado, correspondente ao atual Governador.

Nesse contexto, poucos anos após a institucionalização do Ministério Público no Brasil, em 1891, Dr. Luiz Pio foi nomeado, em 1894, Promotor Público do Ministério Público do antigo Estado do Rio de Janeiro, na comarca de Santa Maria Madalena. Em 1896, foi nomeado 6º Adjunto das Promotorias do Ministério Público do Distrito Federal, servindo perante as 12ª, 13ª e 14ª Pretorias, antigas divisões judiciárias e administrativas de primeira instância.

Em 1905, tomou posse como 4º Promotor Público do Ministério Público do Distrito Federal, permanecendo no cargo por vinte e um anos. Ao longo desse período, atuou junto às 2ª, 3ª e 4ª Varas Criminais, além de exercer funções no Tribunal do Júri. Na vida pessoal, integrou a Mesa Administrativa da Irmandade de São José e São Sebastião da Paróquia de Jacarepaguá, na qualidade de Conselheiro, em 1920.

Exerceu a função de Curador de Menores entre 1926 e 1938, sendo o primeiro membro da instituição a ocupar esse cargo, criado pelo Decreto nº 16.272, de 20 de dezembro de 1923, que regulamentou a assistência e a proteção aos menores abandonados e delinquentes. O referido diploma instituiu o Juízo de Menores na Capital Federal, o primeiro do gênero no Brasil e na América Latina. Funcionava na Rua das Laranjeiras, nº 230, edifício onde atualmente está instalado o Instituto Nacional de Educação de Surdos.

As atribuições do Curador de Menores incluíam a realização de visitas a diversas instituições destinadas ao acolhimento de menores abandonados, com o objetivo de fiscalizar as condições em que viviam. Também lhe competia averiguar o trabalho infantil em fábricas, verificando o cumprimento da legislação vigente, que estabelecia a idade mínima de quatorze anos para a admissão em empregos.

Em relatório apresentado em 1936, referente às atividades desenvolvidas pela Curadoria de Menores no ano anterior, Dr. Luiz Pio destacou as precárias condições das instalações do Juízo de Menores, que não dispunha de espaço adequado para o desenvolvimento de suas atividades e encontrava-se distante das regiões mais pobres da cidade, justamente aquelas para as quais havia sido concebido. Na ocasião, apresentou diversas propostas de aprimoramento, entre as quais se destacam a uniformização do ensino nos estabelecimentos destinados aos menores assistidos por instituições públicas e particulares, bem como a implementação de ensino intensivo e irrestrito em todos os patronatos e abrigos, com o propósito de elevar o nível educacional da juventude acolhida.

Após quarenta e cinco anos de dedicação ao Parquet, Dr. Luiz Pio aposentou-se em 1938. Sete anos depois, veio a falecer. Sua longa trajetória institucional é marcada pelo fato de ter ingressado no Ministério Público em seus primeiros anos de existência, contribuindo significativamente para seu desenvolvimento, consolidação e fortalecimento.

Jorge, Raul Caneco Araújo

  • Pessoa singular
  • 13/08/1918-13/04/1995

Dr. Raul Caneco de Araújo Jorge nasceu no Rio de Janeiro. Filho do embaixador Arthur Guimarães Araújo Jorge, graduou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1942. Em 1946, foi nomeado 14º Advogado de Ofício do Distrito Federal e, em 1951, promovido ao cargo de 13º Promotor Substituto do Ministério Público do Distrito Federal.

Durante sua atuação junto ao I Tribunal do Júri, destacou-se pela participação no julgamento de Gregório Fortunato, processo de grande repercussão nacional à época. Fortunato, que havia sido chefe da guarda pessoal do Presidente da República Getúlio Vargas foi julgado, em 1956, pelo assassinato do Major Rubens Vaz e pela tentativa de homicídio do jornalista e político Carlos Lacerda, fatos ocorridos no episódio conhecido como Atentado da Rua Tonelero, em agosto de 1954, que desencadeou uma grave crise política e culminou no suicídio do Presidente Vargas. Em 1961, Dr. Raul Caneco também presidiu a Comissão de Inquérito Administrativo da Divisão de Ordem Política e Social (DOPS), encarregada de apurar denúncias de corrupção e de tolerância ao jogo do bicho.

Em 1962, foi promovido ao cargo de Curador de Menores, função que exerceu durante nove anos. Nesse período, exerceu atribuições administrativas, presidindo a Comissão Permanente de Processos Administrativos do Estado da Guanabara, em 1962, e exercendo as funções de Assessor e substituto do Superintendente da Polícia Judiciária entre 1963 e 1965.

No exercício da Curadoria de Menores, dedicou-se a questões relacionadas à prostituição infantil, à reformulação das políticas públicas de assistência ao menor, às discussões promovidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Entorpecentes e à apuração de irregularidades na detenção de menores de dezoito anos. Representou ainda o Ministério Público como membro do Conselho Estadual da Fundação do Bem-Estar do Menor (FEBEM).

Em 1971, foi promovido ao cargo de Procurador de Justiça, passando a atuar junto à 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Alçada da Guanabara. No mesmo ano, foi agraciado com a Medalha de Mérito Mello Mattos, instituída em comemoração ao centenário de nascimento do Dr. José Cândido de Albuquerque Mello Mattos, primeiro Juiz de Menores do Brasil, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à causa da infância e da juventude.

No âmbito institucional, integrou delegações e grupos de trabalho em importantes eventos da carreira ministerial, entre os quais o IV Congresso Interamericano do Ministério Público, realizado em Brasília, em 1972; o IV Congresso do Ministério Público Fluminense, realizado em Nova Friburgo (RJ), também em 1972; e o II Congresso Nacional do Ministério Público, realizado em Guarapari (ES), em 1973.

Aposentou-se em 1988 e faleceu em 1995, aos 76 anos de idade. Sua trajetória foi marcada pela destacada atuação na área criminal e, especialmente, pela dedicação às questões relacionadas à proteção da infância e da juventude.

Lyra, Roberto

  • Pessoa singular
  • 19/05/1902 - 29/11/1982

Roberto Lyra foi uma das maiores personalidades jurídicas brasileiras. Jurista, conferencista e professor de renome internacional, integrou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por trinta e seis anos, aposentando-se na carreira. Sua projeção ultrapassou os limites institucionais, sem que jamais se afastasse deles. A prática ministerial e as reflexões sobre as questões sociais e jurídicas de seu tempo — que tinham no crime, na prisão e, em última instância, no banco dos réus do Tribunal do Júri algumas de suas mais perversas problemáticas — constituíram a matéria-prima de centenas de artigos e obras dedicadas ao Direito Penal, ao Direito Processual Penal, à Criminologia, à Filosofia, à Sociologia e à Antropologia Jurídicas.

Natural de Recife (PE), graduou-se aos dezoito anos de idade, em 1920, pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ingressou no Ministério Público do Distrito Federal em 1924, quando foi nomeado 8º Promotor de Justiça Adjunto. Exerceu suas primeiras funções em Campo Grande durante dois anos, deslocando-se diariamente de trem, conforme relatado por sua esposa, Sophia Augusta de Lyra Tavares. Em 12 de março de 1999, o Programa de História Oral do Poder Judiciário, do Museu da Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, entrevistou Sophia, então com 96 anos de idade. Entre as lembranças registradas, destacou a sensibilidade social do marido e sua vocação para o magistério desde muito jovem. Nomeado Professor Coadjuvante do Ensino Noturno aos dezesseis anos de idade, lecionou entre 1918 e 1920 na antiga Escola Miguel Calmon, localizada na Gávea. Muito estimado pelos alunos — em sua maioria operários da Fábrica de Fiação Corcovado —, recebia frequentemente presentes como melancias, mamões, bananas e flores, que compartilhava com sua jovem namorada.

A partir de 1926, foi lotado junto à 2ª Pretoria Criminal e recebeu diversas designações para atuar no Tribunal do Júri. Contudo, foi entre 1931 e 1936 que se consagrou como um dos maiores tribunos do Júri brasileiro. Suas atuações, amplamente divulgadas pela imprensa, despertavam grande interesse do público, especialmente pelos memoráveis embates travados com advogados como Evaristo de Moraes, Mário Bulhões Pedreira e Evandro Lins e Silva. Acusador de retórica vigorosa e eloquente, não hesitava, quando convencido da justiça do caso, em requerer absolvições ou requalificações penais com a mesma firmeza com que sustentava a acusação. Seu compromisso era exclusivamente com a Justiça. Foi nesse período que recebeu de Evandro Lins e Silva, então estudante da Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, o epíteto de "Príncipe dos Promotores Públicos".

Entre suas obras dedicadas ao Ministério Público destacam-se O Ministério Público e o Júri (1933) e Teoria e Prática da Promotoria Pública (1937), esta última considerada uma das referências fundamentais para a organização do Ministério Público contemporâneo. Entre 1937 e 1940, atuou junto à 5ª Vara Criminal, conciliando suas funções ministeriais com o magistério na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), instituição criada em 1935 por iniciativa sua e de um grupo de professores.

Promovido ao cargo de Curador de Menores, função que exerceu entre 1938 e 1948, destacou-se pela sensibilidade com que enfrentava a questão do abandono infantil, defendendo políticas de amparo às famílias como forma de prevenção e enfrentamento do problema. Em 1948, foi designado pelo Ministro da Justiça para integrar a comissão encarregada de estudar a reformulação do Código de Menores de 1927. Em 1950, atuou também na Curadoria de Massas Falidas.

A Lei nº 1.301, de 1950, criou quatro cargos de Subprocurador de Justiça, exercidos em função gratificada por Curadores designados pelo Procurador-Geral de Justiça. A partir de 1951, Roberto Lyra exerceu as funções de 1º, 3º e 4º Subprocurador de Justiça, incumbidas, entre outras atribuições, de substituir o Procurador-Geral e atuar perante as Câmaras Cíveis e Criminais da Corte de Apelação. Na condição de 1º Subprocurador, exerceu interinamente o cargo de Procurador-Geral de Justiça durante os meses de julho e agosto de 1958, em razão das férias do titular, Candido de Oliveira Neto. Em 1959, foi promovido ao cargo de Procurador de Justiça.

Em 1946, participou da fundação da Associação do Ministério Público do Distrito Federal, atual AMPERJ, sendo um dos redatores de seu estatuto e integrante do Conselho Consultivo no biênio 1954–1956. Também integrou a comissão responsável pela elaboração do Código do Ministério Público (Lei nº 3.434/1958), primeiro diploma legal a reunir sistematicamente a organização e as atribuições da instituição. Até então, a legislação encontrava-se dispersa em diversos atos normativos. Entre as principais inovações introduzidas pela nova lei destacam-se a criação do Conselho do Ministério Público e do cargo de Procurador de Justiça como órgãos institucionais, além da inclusão do Estagiário Forense como órgão auxiliar.

Após aposentar-se do Ministério Público, em 1960, teve breve passagem pelo Ministério da Educação, em 1962, quando participou das negociações que levaram ao encerramento da greve nacional dos estudantes universitários. Relatou essa experiência na obra Contribuição para a História do Primeiro Governo de Esquerda no Brasil: Conselho de Ministros Brochado da Rocha (1980). Após sua exoneração, dedicou-se integralmente às múltiplas atividades que desenvolvia no campo do Direito, tanto no Brasil quanto no exterior. No magistério superior, aposentou-se da cátedra em 1972.

Em 1980, o então Promotor de Justiça João Marcello de Araújo Júnior, seu ex-aluno e amigo — que atualmente dá nome ao Centro de Memória do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — publicou a biografia Roberto Lyra. Dois anos depois, em 1982, Roberto Lyra faleceu no Rio de Janeiro, aos oitenta anos de idade.

Em 2002, foi publicada a obra O Centenário do Imortal Roberto Lyra: Coletânea em Homenagem, organizada por Sérgio de Andréa Ferreira e Fernando Galvão de Andréa Ferreira, ambos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A publicação integra o acervo da Biblioteca da instituição.

Em homenagem mais recente, seu sobrenome foi atribuído ao sistema de inteligência artificial Lyra, desenvolvido em 2018 pela equipe da Coordenadoria de Análises, Diagnósticos e Geoprocessamento (CADG), responsável pela plataforma digital MP em Mapas. A ferramenta foi concebida para analisar milhares de documentos judiciais e produzir estatísticas e previsões sobre o andamento de processos repetitivos, contribuindo para uma atuação institucional mais ágil e eficiente nas demandas coletivas. Trata-se de um tributo que procura refletir a extraordinária capacidade intelectual e a incansável dedicação de Roberto Lyra, cuja influência permanece viva na história do Ministério Público brasileiro e do pensamento jurídico nacional.

Cruz, Newton Marques

  • Pessoa singular
  • 25/03/1916 - 11/12/2001

Dr. Newton Marques Cruz nasceu no antigo Distrito Federal, na cidade do Rio de Janeiro. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito, em 1937. No ano seguinte, obteve também o diploma do Curso de Psicologia pela Universidade do Brasil. Ambas as instituições integram atualmente a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Exerceu a advocacia em escritório próprio entre 1938 e 1949. Foi também Capitão da Reserva do Exército Brasileiro, tendo servido em Natal (RN) entre 1943 e 1944, período em que a cidade desempenhava papel estratégico para as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Em reconhecimento aos serviços prestados, foi condecorado com a Medalha de Guerra em 1947.

Em 1950, foi nomeado Defensor Público Interino do Ministério Público do Distrito Federal e, no ano seguinte, tomou posse como 18º Defensor Público, após aprovação no primeiro concurso público de provas e títulos da instituição. Em 1955, foi promovido ao cargo de Promotor Substituto.

Na área acadêmica, exerceu os cargos de Professor de Prática Jurídica Geral na Escola Técnica de Comércio da Fundação Getúlio Vargas, em 1958, e Professor do Curso de Doutorado da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1963. Entre 1958 e 1959, foi contemplado com uma bolsa de cooperação técnica concedida pelo governo francês, oportunidade em que realizou estágios especializados nas áreas criminal e fiscal.

Em 1960, foi promovido ao cargo de 2º Curador de Menores, função que exerceu até 1963. No mesmo ano, recebeu a Medalha de Mérito Forense, concedida pelo Comitê de Imprensa da Justiça do Estado. Em 1962, tornou-se Sócio Titular e membro do Conselho Técnico da Sociedade Brasileira de Criminologia, bem como integrante da Société de Législation Comparée. Em 1966, retornou à França, a convite do governo francês, para realizar estudos sobre a organização e o funcionamento do sistema judiciário daquele país.

No início da década de 1960, desempenhou diversos cargos relevantes na administração pública. Foi Diretor do Departamento de Administração do Serviço de Alimentação da Previdência Social, autarquia vinculada ao Ministério do Trabalho (1960); Presidente da Comissão instituída por determinação do Presidente da República para estudar a situação profissional dos operadores e técnicos de empresas de radiocomunicações (1961); Diretor da Penitenciária Professor Lemos de Brito; Chefe de Polícia do Estado da Guanabara; e Superintendente da Polícia Judiciária, estes três últimos cargos exercidos em 1962. Em 1963, foi removido para a 1ª Curadoria de Resíduos.

Promovido ao cargo de Procurador de Justiça em 1965, voltou a exercer funções na administração pública entre 1969 e 1972, quando integrou a Subcomissão-Geral de Investigações do Estado da Guanabara, órgão vinculado ao Ministério da Justiça durante o período do regime civil-militar (1964–1985), chegando a ocupar a Vice-Presidência.

Entre 15 de março de 1975 e 14 de março de 1979, exerceu a função de primeiro Corregedor-Geral do Ministério Público após a fusão do antigo Estado do Rio de Janeiro com o extinto Estado da Guanabara. O cargo foi instituído pelo Decreto-Lei nº 11, de 15 de março de 1975, diploma que reorganizou o Ministério Público e a Assistência Judiciária do novo Estado do Rio de Janeiro.

Aposentou-se em 1986 e faleceu em 2001, aos 85 anos de idade. Sua trajetória destacou-se pela atuação simultânea nas áreas ministerial, acadêmica e administrativa.

Vasconcellos, Newton de Barros e

  • Pessoa singular
  • 16/11/1918 - 30/04/1980

Natural do Rio de Janeiro, Dr. Newton de Barros e Vasconcellos graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Niterói, atual Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1947. Iniciou sua trajetória profissional na advocacia, atuando em causas cíveis, criminais e de Justiça Militar.

Em 1953, foi nomeado interinamente 25º Defensor Público do Ministério Público do Distrito Federal e, em 1955, efetivado no cargo de 18º Defensor Público. Com a transferência da Capital Federal para Brasília, em 1960, foi designado para coordenar os órgãos e serviços penitenciários transferidos da União para o Estado da Guanabara, função que exerceu entre 1960 e 1962. O reconhecimento pelo trabalho desenvolvido resultou na concessão da Medalha de Mérito Forense, em 1961. Nesse mesmo ano, foi promovido ao cargo de 16º Promotor Substituto e, em 1964, ao de 5º Promotor Público.

Em 1963, concluiu o curso de Doutorado pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), integrando sua primeira turma de doutores. Na cerimônia de colação de grau, recebeu também o Prêmio Juliano Moreira, na cadeira de Medicina Legal e Psicologia Forense.

Sua atuação concentrou-se na área criminal, especialmente nas questões relacionadas aos menores infratores, destacando-se como defensor da atualização do Código de Menores de 1927. Exerceu interinamente a função de 2º Curador de Menores entre 1966 e 1971. Nesse período, recebeu, em 1968, o Diploma de Honra ao Mérito concedido pelo Sindicato dos Advogados do Estado da Guanabara. Ainda naquele ano, foi designado pelo Governador Francisco Negrão de Lima para integrar a comissão encarregada de estudar o licenciamento e a fiscalização de atividades comerciais relacionadas aos esportes marítimos, desenvolvidas nas praias ou em suas proximidades.

Em 1971, foi promovido ao cargo de 1º Curador de Menores. Grande entusiasta da aproximação entre o Ministério Público e a sociedade, promoveu palestras, aulas e conferências em instituições de ensino fundamental e médio, bem como em diversos órgãos civis. Demonstrava especial preocupação com a prevenção do envolvimento de crianças e adolescentes em atos infracionais e com o uso de drogas ilícitas, sobretudo no ambiente escolar. Defendia, ainda, ações permanentes de orientação e capacitação voltadas a comissários, curadores, tutores, pais e professores, reconhecendo o papel essencial da família e da comunidade na proteção da infância e da juventude.

Dr. Newton de Barros e Vasconcellos manifestava frequentemente suas ideias por meio de artigos e entrevistas publicados na imprensa. Entre seus textos, destaca-se A Tutela e a Proteção dos Menores Desassistidos, além de colaborações para jornais de ampla circulação, como A Luta Democrática. Também respondia a dúvidas de leitores e publicava reflexões na seção Carta dos Leitores, do jornal O Globo. Entre os temas que abordava, figuravam a oposição à redução da maioridade penal para dezesseis anos, a crítica aos critérios de adoção pautados na raça e na pouca idade das crianças — denunciando o preconceito racial que permeava tais práticas — e a defesa do diálogo como instrumento fundamental de fortalecimento das relações familiares.

Dr. Newton de Barros e Vasconcellos faleceu precocemente, aos 62 anos de idade, no exercício do cargo, 1980. Deixou importante legado de dedicação às questões sociais relacionadas à proteção integral de crianças e adolescentes, destacando-se pela atuação firme em defesa dos direitos da infância e da juventude ao longo de sua extensa trajetória no Ministério Público.

Amaral, Nelson Pecegueiro do

  • Pessoa singular
  • 07/10/1922 - 04/04/2007

Nelson Pecegueiro do Amaral nasceu em São Paulo. Ainda jovem, mudou-se para o então Distrito Federal, onde concluiu o ensino secundário no Colégio Santo Inácio e graduou-se em Direito pela primeira turma da Faculdade Católica de Direito, atual Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1945.

Exercia a advocacia quando foi nomeado 24º Promotor Público Interino do Ministério Público do Distrito Federal, em 1951. Sua efetivação na instituição ocorreu em 1954, com a nomeação para o cargo de 13º Defensor Público, então classe inicial da carreira ministerial. Posteriormente, foi promovido a 7º Promotor Substituto (1960), 30º Promotor Público (1962) e 4º Curador de Família (1965), sendo transferido, em 1967, para o cargo de 2º Curador de Menores, no qual permaneceu até sua promoção a Procurador de Justiça, em 1970.

Embora tenha exercido a função de Curador de Menores por apenas um ano, sua passagem pelo cargo foi marcada pela autorização para participar do Curso de Especialização de Profissionais de Tribunais de Menores, realizado na Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, sob a coordenação da Organização dos Estados Americanos (OEA). No ano seguinte, foi nomeado para o cargo em comissão de Consultor Jurídico do Exército, função que desempenhou entre 1968 e 1977.

Sua proximidade com o regime civil-militar vigente no Brasil entre 1964 e 1985 resultou na concessão de duas condecorações militares: a Medalha do Pacificador, em 1968, e a Medalha Mérito Santos Dumont, em 1969. Recebeu ainda diversos elogios oficiais de altas autoridades militares, fundamentados na alegação de que teria desempenhado suas funções "em defesa dos interesses nacionais e na consolidação dos ideais revolucionários".

Exerceu a chefia institucional do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro como Procurador-Geral de Justiça entre 1980 e 1981. Sua gestão foi marcada por um período de intensa tensão institucional. Em 11 de novembro de 1980, foi deflagrada a chamada Vigília Institucional, considerada a primeira greve promovida por membros do Ministério Público brasileiro. Liderado pela Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (AMPERJ), sob a condução do Promotor de Justiça Leôncio de Aguiar Vasconcelos, o movimento reuniu cerca de 420 promotores e procuradores fluminenses em defesa da equiparação de direitos e da superação das disparidades decorrentes da fusão, em 1975, dos Ministérios Públicos do antigo Estado da Guanabara e do antigo Estado do Rio de Janeiro. Entre as principais reivindicações estavam o nivelamento remuneratório e a melhoria das condições de trabalho, especialmente quanto às instalações físicas e ao quadro de pessoal.

À época, o Estado era governado por Chagas Freitas, também integrante da carreira do Ministério Público. Sua postura diante do movimento foi de enfrentamento às reivindicações, em um contexto no qual a posição institucional adotada por Nelson Pecegueiro revelou-se ambígua. A questão salarial somente viria a ser solucionada durante o primeiro governo estadual de Leonel Brizola (1983–1986).

Outros acontecimentos relevantes durante sua gestão foram a realização do último concurso para o cargo de Defensor Público enquanto essa carreira ainda integrava a estrutura do Ministério Público fluminense e a criação da Caixa de Assistência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CAMPERJ). À época, a Assistência Judiciária constituía carreira paralela subordinada ao Procurador-Geral de Justiça, sendo posteriormente desvinculada do Ministério Público para integrar a estrutura da Secretaria de Estado de Justiça, por força da Emenda Constitucional nº 16, de 1981, e, posteriormente, da Defensoria Pública, com a Emenda Constitucional nº 37, de 1987. A CAMPERJ foi criada com a finalidade de prestar assistência médica aos membros da instituição e seus dependentes, tendo Nelson Pecegueiro exercido o cargo de seu primeiro Diretor-Presidente.

Em dezembro de 1981, foi nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro pelo Governador Chagas Freitas. A nomeação suscitou nova controvérsia, uma vez que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questionou o preenchimento da vaga pelo Quinto Constitucional, sustentando que, em razão da alternância prevista em lei, ela deveria ser destinada à advocacia, e não a um membro do Ministério Público. Apesar da contestação, prevaleceu o ato de nomeação praticado pelo Poder Executivo.

Faleceu em 2007, aos 85 anos de idade.

Freire Júnior, Laudelino

  • Pessoa singular
  • 16/05/1919 - 07/05/2013

Dr. Laudelino Freire Júnior nasceu no Rio de Janeiro. Era filho do escritor e lexicógrafo sergipano Laudelino Freire, que presidiu a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1936. Graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 1939.

Iniciou sua carreira no serviço público como Fiscal do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), função exercida entre 1938 e 1945. Teve breve passagem pelo cargo de Oficial de Gabinete do Ministro da Fazenda José Pires Rios, entre 1945 e 1946, sendo, em seguida, nomeado Promotor Substituto do Ministério Público do Distrito Federal, em janeiro de 1946.

Sua atuação concentrou-se predominantemente na área criminal. Em 1951, foi promovido pela Comissão de Promoções do Ministério Público ao cargo de 24º Promotor Público, passando a atuar junto à 25ª Vara Criminal. Nesse período, participou da apuração de casos de grande repercussão, entre os quais o incêndio da Boate e do Hotel Vogue, em Copacabana, ocorrido em 1956, e o caso de extorsão contra a Companhia de Cimento Portland Barroso, em 1958.

Promovido a 1º Curador de Menores em 1960, exerceu a função até 1964. Durante esse período, destacou-se por intensa atuação em defesa da infância e da juventude, ocupando frequentemente o noticiário. Entre suas principais iniciativas, destacam-se a participação no Grupo de Estudos instituído pelo Governador José Sette Câmara para discutir a problemática do menor abandonado (1960); a adoção de medidas destinadas à proibição da circulação de revistas pornográficas (1960); a investigação de irregularidades no processo de adoção de menores perante o Juizado de Menores, episódio que ficou conhecido como “Golpe do Afeto” (1961); e a fiscalização e interdição de boates em razão da presença de menores de 21 anos (1962).

Posteriormente, foi transferido para o cargo de 3º Curador de Órfãos, função exercida entre 1964 e 1971. Em seguida, ocupou, por breve período, o cargo de 4º Curador de Famílias, no ano de 1971, até sua promoção ao cargo de Procurador de Justiça.

Como Procurador de Justiça, atuou por longo período junto à 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Foi nomeado Membro Suplente do Conselho do Ministério Público para o biênio 1973–1974 e, em 1975, eleito Membro Titular do mesmo órgão.

Entre 1976 e 1977, presidiu, ao lado dos Procuradores de Justiça Hermenegildo de Barros Filho e Ellys Hermydio Figueira, a banca examinadora do primeiro concurso público para ingresso na carreira do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro após a fusão dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro.

Aposentou-se em 1989, após quarenta e três anos de dedicação ao Ministério Público. Faleceu aos 94 anos de idade, deixando importante legado para a instituição, especialmente na área e da proteção à infância e à juventude.

Melo, João Ramos Torres de

  • Pessoa singular
  • 12/08/1893 - 19/09/1993

Natural de Fortaleza, Ceará, Dr. João Ramos Torres de Melo iniciou sua carreira pública no então Território do Acre. Exerceu, sucessivamente, as funções de Procurador da República Interino (1920–1921), Adjunto de Promotor Público do 2º Termo da Comarca de Xapuri e Promotor Público da mesma comarca (1927–1929), e Procurador-Geral de Justiça junto ao Tribunal de Apelação do Território (1931–1940).

Colocado em disponibilidade por ato do Presidente da República, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado 2º Promotor Público do Distrito Federal, em 1940. Na então Capital Federal, exerceu os cargos de Curador de Acidentes do Trabalho (1941), Curador de Menores (1942–1948) e 3º Curador de Ausentes (1948–1958).

Destaca-se sua participação na comissão responsável pela elaboração do regulamento do primeiro concurso público de provas e títulos para ingresso no Ministério Público do Distrito Federal, instituída em 1949. Integravam também o grupo Alfredo Loureiro Bernardes, na qualidade de Procurador-Geral de Justiça; o Curador Caetano Estelita Cavalcanti Pessoa; e o advogado Arthur Machado de Castro, representante indicado pelo Conselho da Ordem dos Advogados.

O certame foi regulamentado pela Lei nº 116, de 9 de janeiro de 1948, que estabeleceu o cargo de Defensor Público como classe inicial da carreira ministerial. O processo seletivo teve início em 1950, constituindo um importante marco na institucionalização do ingresso por concurso público no Ministério Público do Distrito Federal. Dr. João Ramos Torres de Melo também integrou a banca examinadora. O concurso foi bastante concorrido, como amplamente noticiado pela imprensa da época, e as primeiras nomeações ocorreram a partir de 1951.

Em 1960, foi promovido ao cargo de 11º Procurador de Justiça e aposentou-se em 1963. Mesmo após deixar a carreira ministerial, permaneceu em atividade na vida associativa, sendo eleito Vice-Presidente do Clube dos Advogados em 1969.

Faleceu aos 100 anos de idade, deixando uma trajetória marcada pela contribuição à consolidação institucional do Ministério Público brasileiro, especialmente no que se refere à implantação do primeiro concurso público para ingresso na carreira no antigo Distrito Federal.

Carvalho, Fernando Vilela de

  • Pessoa singular
  • 25/12/1891-04/03/1973

Dr. Fernando Vilela de Carvalho nasceu em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1917.

Ingressou na carreira ministerial em 1923, como Adjunto de Promotor do Ministério Público do Distrito Federal, sendo promovido, em 1929, ao cargo de 8º Promotor Público. Em 1938, assumiu a função de Curador de Menores, que exerceu até 1942, quando, a pedido, foi transferido para o cargo de 4º Curador de Massas Falidas, permanecendo nessa função até 1957. Posteriormente, passou a exercer o cargo de 3º Curador de Resíduos, entre 1957 e 1959.

Também ocupou as funções de 4º Subprocurador de Justiça, em 1952; 3º Subprocurador de Justiça, em 1953; e 2º Subprocurador de Justiça, em 1963.

Em 1954, integrava a Comissão de Promoções do Ministério Público, a 2ª Comissão de Correição, responsável pela apresentação de relatórios ao Conselho de Justiça, e o Conselho Consultivo da Associação dos Membros do Ministério Público do Distrito Federal. Em 1958, foi eleito Vice-Presidente da entidade.

Em uma época em que o Ministério Público ainda não possuía sede própria, a cerimônia de posse da diretoria da Associação realizou-se no auditório do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC), localizado na Rua México, nº 128, 10º andar, no centro do Rio de Janeiro, edifício atualmente ocupado pelo Ministério da Saúde.

No ano seguinte, por ato do Ministro da Justiça José Eduardo do Prado Kelly, presidiu a Comissão de Inquérito Administrativo destinada a apurar irregularidades na administração do Território do Acre, atuação que recebeu ampla cobertura da imprensa da época.

Entre 1955 e 1956, exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça, assumindo a chefia máxima da instituição. Posteriormente, a Lei nº 3.434, de 20 de julho de 1958, conhecida como Código do Ministério Público do Distrito Federal, criou o cargo de Procurador de Justiça. Em 30 de setembro de 1959, foram nomeados os quatorze primeiros ocupantes desse novo cargo da carreira, entre os quais figurava Dr. Fernando Vilela de Carvalho.

Faleceu aos 82 anos de idade, deixando sua trajetória marcada pela longa dedicação ao Ministério Público e pela participação ativa na consolidação institucional da carreira ministerial no antigo Distrito Federal.

Mendonça, Carlos Sussekind de

  • Pessoa singular
  • 17/02/1899 - 23/07/1968

Dr. Carlos Sussekind de Mendonça era natural da cidade do Rio de Janeiro. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1920. Nascido em uma tradicional família de juristas e escritores e possuidor de uma mente aguçada e inquieta, destacou-se desde a juventude pelo intenso engajamento nas atividades jornalísticas e literárias.

Ainda durante a graduação, estabeleceu sólida e duradoura amizade com Roberto Lyra Tavares, outro grande expoente do Ministério Público. Ambos atuaram como redatores em jornais acadêmicos e, após a conclusão do curso, compartilharam escritório de advocacia por alguns anos. Colaborou também com os periódicos O Jornal e A Quinzena Judiciária, além de ter exercido a direção do jornal A Esquerda.

Na carreira jurídica, exerceu o cargo de Suplente de Juiz da 6ª Pretoria Criminal entre 1924 e 1931, antiga estrutura judiciária de primeira instância. Nesse período, participou do concurso de títulos promovido pela Comissão de Promoções e Nomeações da Justiça Local para ingresso no Ministério Público do Distrito Federal, classificando-se em primeiro lugar entre quarenta e sete candidatos.

Foi nomeado 7º Promotor Adjunto em 1931, destacando-se por sua atuação na área criminal, especialmente como 4º Promotor Público do Tribunal do Júri e junto à 8ª Vara Criminal. Em 1946, foi promovido ao cargo de 3º Curador de Família e, em 1949, transferido para a função de 2º Curador de Menores, permanecendo nessa atividade até sua promoção ao cargo de 1º Procurador de Justiça, em 1959.

O cargo de Procurador de Justiça, assim como o Conselho do Ministério Público, foram instituídos pelo Código do Ministério Público do Distrito Federal (Lei nº 3.434, de 20 de julho de 1958). Nos termos da nova legislação, além do Procurador-Geral de Justiça, o Conselho era composto por quatro membros: dois indicados pelo Presidente da República e dois eleitos pelos integrantes da instituição. Dr. Carlos Sussekind de Mendonça foi eleito para uma dessas vagas, integrando, assim, a primeira composição do órgão.

Posteriormente, exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça entre 12 de dezembro de 1960 e 20 de setembro de 1962. Aposentou-se em 1966, na função de 1º Subprocurador de Justiça.

Entre as diversas atividades que desempenhou ao longo da carreira, destacam-se sua atuação como membro da Sociedade Brasileira de Criminologia, a partir de 1933; Livre-docente de Direito Penal na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a partir de 1937; representante do Ministério Público no Conselho Penitenciário entre 1945 e 1966; e Presidente da Associação do Ministério Público do Distrito Federal no biênio 1948-1950.

Em 1939, foi eleito membro da Academia Carioca de Letras. Publicou importantes obras, entre elas Afirmações Católicas em Torno de Vários Temas (1929), Quem Foi Pedro II: Golpeando de Frente o Saudosismo (1929), O Sensacionalismo: Suas Causas, Suas Formas, Seus Efeitos, Suas Culpas, Seus Remédios (1931), Sensacionalismo, em coautoria com Roberto Lyra (1933), Sílvio Romero: Sua Formação Intelectual – 1851-1880 (1938), Salvador de Mendonça: Democrata do Império e da República (1960) e Sílvio Romero, de Corpo Inteiro (1963).

Foi ainda agraciado com as medalhas Marechal Caetano de Faria e Marechal Hermes, concedidas pelo Ministério da Justiça em 1956, e com a medalha Mérito Forense, outorgada pelo Comitê de Imprensa da Justiça do Distrito Federal em 1960.

Faleceu aos 69 anos de idade, deixando importante legado nas áreas jurídica, literária e institucional, com significativa contribuição para o desenvolvimento do Ministério Público brasileiro.

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